Rubble King, de Duarte Valadares

Nos dias 13, 14 e 15 maio, pelas 19h00 . Black Box

 

Rubble King introduz um corpo que rastreia arquétipos. Uma entidade dentro de uma caixa de areia, um local de informação ilimitada, um circuito excessivamente produtivo à procura de modelos assimiláveis. Este corpo universal é viral, um circuito não filtrado, interrompido aleatoriamente pela autossatisfação. Vislumbres de estruturas reais de movimento estão presentes como se fossem uma segunda pele, o artificial inteligente. Mudança, mudança, mudança, a evolução pela ambiguidade imersiva, um ridículo racional.

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Rubble King

Uma sonda ininterrupta, um diálogo de indefinição.

A procura incessante deste sonar constrói uma unidade Mecha, um mar de arquétipos condensados nesta cápsula central distópica.

«I watched c-beams glitter in the dark near the Tannhäuser Gate.»1

Se sei? Não. Imagino, imagino o que talvez seja e dou cor a desconstruções que não têm de ter lugar. É essa ambiguidade que faz pulsar a procura deste circuito. Queria atirar uma pedra para o futuro e voltei à gravilha, vi flaps virarem pulsos hirtos em vibrato, holofotes tornaram-se braços polvo e o código binário procurou encontrar expressão.

É nesta desconstrução e aleatoriedade que encontro o rei da gravilha, cruzam-se Tetsuo, Project 2501, Motoko 2 e encontram-se loops virais. Tudo o que se cria já existe sob alguma forma, ser novo, um ser novo é um processo incerto, belo.

Os membros deixam de ter as funções designadas e podemos assistir ao deslize do olhar até à pélvis, o sagrado vira farol e os metacarpos frenéticas sobrancelhas. Sob isto, a segunda pele olha para uma tela de lama e reconstrói emoções, um replicante.

O artificial inteligente. O Néon Mecha que respira pelo plissado, que sonda o futuro até que a gravidade o cole à gravilha.

Duarte Valadares

Referências

1 Monólogo de Roy Batty (replicante) em Blade Runner, 1982.

2 Personagens:

Tetsuo – Akira, 1988

Project 2501, Motoko – Ghost In The Shell, 1995

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Nascido no Porto, Duarte Valadares formou-se na Escola Superior de Dança em 2014, reside entre Portugal e Bélgica, pesquisando paralelamente o movimento contemporâneo e urbano. Trabalhou com coreógrafos como Amélia Bentes em Eternuridade, Gregory Maqoma em Free, Emmanuele Hyuhn em Cribles, Marco da Silva Fereira em Land(e)scape, Hu(r)mano, Brother e Bisonte, Drosha Gherkov em Neds, Jonas&Lander em Adorabilis e Thiery Smits/Compagnie Thor em Anima Ardens e WaW. Duarte coreografou Dry Mouth em 2015, State of Doubt em 2016, We can buy a Basquiat but we can’t hold hands com Jonas Verwerftem em 2017 e Rubble King em 2018.