O maior festival de teatro de Portugal arranca com programa imperdível

O 39º Festival de Almada arranca nesta segunda-feira (4) de julho com estreias em palco e grandes nomes do teatro nacional e estrangeiro e actuações em espaços ao ar-livre. Haverá ainda espetáculos de música ao vivo todos os dias, com destaque para as atuações do Instituto Nacional de Música do Afeganistão, para o duo Recanto, a banda PAUS e a cantora portuguesa Rita Braga.

A figura homenageada este ano é José Manuel Castanheira, cenógrafo, arquitecto, doutorado em cenografia e responsável pela acção “Sentido dos Mestres”, que integra os festivais de Almada.

Alter Orbis, de João Tuna é uma exposição fotográfica que inaugura nesta terça-feira (5) de julho, na Galeria de Exposições do Teatro Municipal Joaquim Benite e fica patente até 18 de julho. João Tuna dá a conhecer um conjunto de fotografias feitas a partir da cena, mas já não “fotografia de cena”. Um lugar onde o fotógrafo pisa o palco, onde o “gráfico” ganha preponderância, onde a cor é substituída por um preto e branco infravermelho com um preto tão denso quanto o preto do texto.

 

Espectáculos do 39º Festival de Almada

São ao todo 20 produções, sendo sete delas espectáculos portugueses e 13 estrangeiras, que vão passar por nove palcos. Em Almada: Teatro Municipal Joaquim Benite, Palco Grande da Escola D. António da Costa, Fórum Romeu Correia, Teatro-Estúdio António Assunção e Incrível Almadense. Em Lisboa: Centro Cultural de Belém e Teatro Nacional D. Maria. 

Robert Wilson volta a ser um dos grandes destaques da edição deste ano do Festival de Almada. O encenador vai apresentar o espetáculo “I was sitting on my patio this guy appeared I thought I was hallucinating” no Teatro Nacional D. Maria II, estreado em 1977 com Lucinda Childs, e o suíço Christoph Marthaler que conta com quatro presenças no Festival de Almada e abre a edição deste ano com a peça “Aucune Idée”, na Escola D. António da Costa, a 4 de Julho.

Destaque ainda para o alemão Thomas Ostermeier, com o espectáculo “ödipus” que revisita o mito de Édipo numa versão da dramaturga Maja Zade passada na Atenas contemporânea, e o espectáculo do belga Wim Vandekeybu com “Hands do not touch your precious Me” no qual o coreografo colabora com o artista visual francês Olivier de Sagazan, onde se tece um conto mítico de confronto e transformação, luz e escuridão.

De sublinhar também as encenadoras Dorothée Munyaneza, do Ruanda e Nadège Prugnard, de França, que assinam duas criações no âmbito da Temporada Cruzada Portugal-França 2022.

Por parte da Companhia de Teatro de Almada, onde “todos se envolvem na organização do Festival de Almada”, como comentou a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, vai estar em estreia “Noite de Reis”, de Shakespeare, com encenação de Peter Kleinert.

A 39.ª edição integra ainda dois espectáculos do chamado novo circo, com a apresentação da trupe francesa Baro d’Evel e dos ingleses Gandini Juggling”.

Quanto a espectáculos nacionais, estes “representativos de várias gerações de criadores e companhias”, salientou Rodrigo Francisco, é de realçar “Se eu fosse Nina”, com encenação e texto de Rita Calçada Bastos, um espectáculo que, devido à pandemia, apenas teve uma representação online, portanto estreia agora ao vivo, e “Eu sou a minha própria mulher” encenado por Carlos Avilez, do Teatro Experimental de Cascais.

O Teatro dos Aloés vai estar em palco com “Em casa, no zoo”, encenação de Jorge Silva, o Teatro do Bairro traz “Sonho”, encenado por António Pires, o Arena Ensemble apresenta “Selvagem” encenado por Marco Martins, e a companhia Artistas Unidos leva a palco “Taco a Taco” com encenação de Pedro Carraca.

O espectáculo de Honra é “Miguel de Molina al desnudo”, encenado por Félix Estaire. Esta é uma peça que esteve em palco na edição anterior, e que agora regressa por votação do público, apesar de ter sido a segunda preferência uma vez que não foi possível trazer “Quem Matou o Meu Pai”.

 

Música na Esplanada

O 39º Festival de Almada arranca nesta segunda-feira (4) de julho com música do Instituto Nacional de Música do Afeganistão. No concerto, tocarão instrumentos clássicos e tradicionais. Chalo Correia, Juvânia Gomes & Gerajazz messengers, as batucadeiras de Cabo Verde Freireanas Guerreiras e César Prata complementam a semana com música na esplanada. No sábado, um dos líderes dos Graveola e o lixo Polifônico, Luiz Gabriel Lopes e o figura de proa na música de Cabo Verde, Tcheka fecham o programa de sábado da primeira semana. No domingo (10) de julho, Milho por peixe, de Arantxa Joseph e com encenação de Giacomo Scalisi, bem como o grupo Jacarandá – que tocam do rock ao psicadélico, passando pela música tribal, encerram a semana musical.

Na semana seguinte, a Esplanada da Escola D. António da Costa segue a receber outros músicos. Na segunda (11) de julho, os Recanto (Hugo Osga e Sílvia Isabel) trazem melodias antigas, de raiz tradicional portuguesa. Clássicos da morna e da coladeira são apresentados por Lucibela, no dia seguinte. Na quarta (13), Active Mess e na quinta (14), Katerina L’dokova. La Miseria Deluxe, Thomas Attar & Tó Trips, PAUS, Kriol e Rita Braga encerram a semana na sequência.

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