{"id":1283,"date":"2016-12-13T12:19:44","date_gmt":"2016-12-13T12:19:44","guid":{"rendered":"http:\/\/arte351.pt\/art\/?p=1283"},"modified":"2016-12-17T12:28:21","modified_gmt":"2016-12-17T12:28:21","slug":"o-galpao-exibe-hallstatt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/arte351.pt\/art\/2016\/12\/13\/o-galpao-exibe-hallstatt\/","title":{"rendered":"O GALP\u00c3O EXIBE \u201cHALLSTATT\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: justify;\">O Galp\u00e3o, da Fortes D\u00b4Aloia&amp; Gabriel, Barra Funda, S\u00e3o Paulo, SP, apresenta a mostra coletiva \u201cHallstatt\u201d, cuja curadoria traz os nomes de Maria do Carmo M. P. de Pontes e KikiMazzucchelli. O elenco de expositores \u00e9 composto por nomes nacionais e internacionais como Alexandre da Cunha, AmieSiegel, CandiceLin, CaraghThuring, Daniel Sinsel, ImanIssa, Joshua Sex, Manoela Medeiros, Mauro Restiffe, Nuno Ramos, Oliver Laric, Tamara Henderson e Tobias Hoffknecht.<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre a exposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHallstatt\u201d toma a no\u00e7\u00e3o de dualidade como ponto de partida para uma reflex\u00e3o sobre o significado da repeti\u00e7\u00e3o de signos, imagens e formas no contexto contempor\u00e2neo. A ideia de dualidade estrutura o pensamento ocidental desde o mito fundador da cria\u00e7\u00e3o, estabelecendo-se como tema recorrente na literatura e na psican\u00e1lise a partir do s\u00e9culo XIX. A exposi\u00e7\u00e3o re\u00fane a obra de treze artistas que, em suas pr\u00e1ticas, lidam com o duplo por meio de diferentes estrat\u00e9gias, seja em seu entendimento mais fundamental \u2013 atrav\u00e9s de simetrias formais \u2013 ou filos\u00f3ficos e existenciais: o duplo como um estado alterado de percep\u00e7\u00e3o, c\u00f3pia, reciclagem ou \u00edndice de realidades paralelas. Ao propor mais quest\u00f5es do que respostas definitivas, a mostra visa ampliar a discuss\u00e3o em torno do tema, t\u00e3o urgente em um momento em que verdades absolutas s\u00e3o cada vez mais propagadas \u2013 e o lugar da verdade, cada vez mais dif\u00edcil de se identificar.<\/p>\n<p>Hallstatt \u00e9 um vilarejo cinematogr\u00e1fico situado \u00e0 beira de um lago rodeado por montanhas na \u00c1ustria. H\u00e1 cerca de cinco anos, passou a receber um enorme fluxo de turistas chineses \u2013 mais do que o habitual, mesmo para um lugar cuja principal economia \u00e9 o turismo. Um deles, desavisado, revelou a um local que na prov\u00edncia de Guangdong, na China, uma c\u00f3pia id\u00eantica de Hallstatt encontrava-se em estado j\u00e1 avan\u00e7ado de constru\u00e7\u00e3o, para a surpresa dos menos de mil habitantes do vilarejo, que n\u00e3o haviam sido consultados. De fato, a China tem a pr\u00e1tica de reproduzir monumentos ocidentais em seu solo, mas pela primeira vez copiava-se uma cidade inteira. Essa apropria\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente simb\u00f3lica considerando-se que Hallstatt possui a mais antiga mina de sal do mundo e um dos mais antigos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da Europa. De certa forma, trata-se assim da c\u00f3pia por excel\u00eancia: a apropria\u00e7\u00e3o da matriz de uma cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre os artistas<\/strong><\/p>\n<p>Alexandre da Cunha, Rio de Janeiro, 1969. Vive em Londres, \u00e9 mais conhecido por esculturas que revisitam e ressignificam objetos cotidianos. Suas telas \u2013 que o artista enxerga antes como esculturas de parede do que como pinturas \u2013 seguem a mesma l\u00f3gica ao incorporar materiais como esfreg\u00f5es, chap\u00e9us, conchas e escovas. A s\u00e9rie Amazons (2014 \u2013 em andamento) tem como mat\u00e9ria prima toalhas de praia com estampas extravagantes. Cada uma das obras de Amazons re\u00fane um grupo de toalhas a princ\u00edpio id\u00eanticas, que Da Cunha tinge \u2013 dando a cada parte diferentes graus de nitidez \u2013 e costura em sequ\u00eancia, enfatizando no\u00e7\u00f5es de ac\u00famulo e repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AmieSiegel, Chicago, 1974. Vive em Nova York, trabalha majoritariamente com instala\u00e7\u00f5es audiovisuais que lidam, de diversas maneiras, com no\u00e7\u00f5es de dualidade. O v\u00eddeo Genealogies (2016) \u00e9 uma esp\u00e9cie de arqueologia de refer\u00eancias da artista, em que ela articula a ideia de que h\u00e1 sempre cita\u00e7\u00f5es a outras obras em projetos supostamente originais, tomando \u201cO Desprezo\u201d, filme de 1963 de Jean-Luc Godard, como estudo de caso. O cl\u00e1ssico de Godard \u00e9 tamb\u00e9m o tema de The NoonComplex (2016) uma proje\u00e7\u00e3o dupla acompanhada de um televisor em que ela desconstr\u00f3i o filme, removendo digitalmente Brigitte Bardot da narrativa. O televisor mostra uma atriz reencenando os movimentos de Bardot, incitando o espectador a um processo dial\u00e9tico de sobreposi\u00e7\u00e3o de imagens para obter uma narrativa completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CandiceLin, Concord, Massachusetts, 1979. Vive em Los Angeles, faz uso de diversos suportes para elaborar uma investiga\u00e7\u00e3o minuciosa sobre o reino animal, focando sobretudo em fen\u00f4menos naturais e microrganismos como fungos e bact\u00e9rias. Por exemplo, Hormonal Fog (Study #1) (2016, em colabora\u00e7\u00e3o com Patrick Staff) consiste em uma m\u00e1quina de fuma\u00e7a emitindo periodicamente uma subst\u00e2ncia que bloqueia a produ\u00e7\u00e3o de testosterona. Nas colagens apresentadas em \u201cHallstatt\u201d, a artista explora narrativas sobre fen\u00f4menos naturais que foram historicamente marginalizadas pela ci\u00eancia: registros sobre homens que produzem leite materno, hist\u00f3rias sobre m\u00e9diuns do sexo feminino que canalizam grandes figuras pol\u00edticas, entre outras. Apresentadas como as amostras de esp\u00e9cies caracter\u00edsticas dos museus etnogr\u00e1ficos, esses trabalhos tra\u00e7am uma hist\u00f3ria paralela da ci\u00eancia que desafia categorias bin\u00e1rias tradicionais relativas ao g\u00eanero, \u00e0s pr\u00e1ticas culturais e \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pinturas de CaraghThuring, Bruxelas, 1972. Vive em Londres, perpassam no\u00e7\u00f5es de dualidade atrav\u00e9s de diferentes gestos. Por exemplo, o h\u00edbrido entre um vulc\u00e3o e uma pir\u00e2mide \u2013 e, em n\u00edvel mais fundamental, o tijolo que constitui esse h\u00edbrido \u2013 \u00e9 uma imagem recorrente em sua obra. Outras de suas telas s\u00e3o inspiradas por composi\u00e7\u00f5es de artistas can\u00f4nicos, como \u00c9douard Manet e FilippoBrunelleschi. H\u00e1 ainda pinturas que Thuring enxerga simplesmente como duplas, uma precisando da outra para existir. Aqui, a artista mostra tr\u00eas telas quase id\u00eanticas nas quais retrata vulc\u00f5es \u2013 vers\u00f5es em bordado de um desenho que ela realizou no in\u00edcio de 2016, que por sua vez \u00e9 inspirado em guaches napolitanos do s\u00e9culo XIX \u2013, fagocitando a pr\u00f3pria obra ao mesclar no\u00e7\u00f5es de fundo e figura. Thuring mostra tamb\u00e9m duas outras telas em que usa tijolos para construir figuras humanas executadas em escalas contrastantes: tr\u00eas homens diminutos posando em David Gandy (2014) e uma mulher agigantada em BrickLady (2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel Sinsel, Munique, 1976. Vive em Londres, incorpora materiais org\u00e2nicos como sementes ou peles de animais em composi\u00e7\u00f5es que perpassam a superf\u00edcie bidimensional da tela, conferindo-lhes uma qualidade escult\u00f3rica. Seus primeiros trabalhos, produzidos no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000 \u2013 muitos dos quais retratavam jovens homens nus ou seminus \u2013 j\u00e1 apontavam explicitamente o seu interesse em explorar a no\u00e7\u00e3o de erotismo na pintura. Esse tema recorre em toda a sua produ\u00e7\u00e3o, mesmo nos trabalhos onde a refer\u00eancia \u00e9 menos evidente. Nas duas obras recentes apresentadas em \u201cHallstatt\u201d, por exemplo, o erotismo \u00e9 evocado a partir da rela\u00e7\u00e3o criada entre aquilo que est\u00e1 dentro e fora da tela, daquilo que sua superf\u00edcie oferece ou oculta ao espectador. Al\u00e9m disso, ao incorporar objetos cuja materialidade n\u00e3o \u00e9 completamente identific\u00e1vel, cria uma esp\u00e9cie de trompl\u2019oeil que levanta d\u00favidas sobre o que \u00e9 realidade ou representa\u00e7\u00e3o. Pintura\/escultura, dentro\/fora, realidade\/representa\u00e7\u00e3o s\u00e3o apenas alguns dos dualismos que perpassam a obra de Sinsel, calcada, acima de tudo, no jogo de sedu\u00e7\u00e3o que o artista estabelece entre espectador e obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na s\u00e9rie de esculturas intitulada Lexicon (2012 -em andamento), ImanIssa, Cairo, 1979. Vive entre Cairo e Nova York, revisita obras de arte que s\u00e3o apresentadas na forma de estudos para remakes contempor\u00e2neos. Embora retenham os t\u00edtulos dos desenhos, pinturas, esculturas e fotografias originais, os trabalhos resultantes n\u00e3o s\u00e3o reprodu\u00e7\u00f5es fi\u00e9is ou c\u00f3pias das obras originais, mas interpreta\u00e7\u00f5es cujas formas diferem significativamente de suas fontes. Ao propor novas formas para esses trabalhos, Issa busca comunicar algo mais familiar e consistente com sua pr\u00f3pria experi\u00eancia a partir das ideias sugeridas pelos t\u00edtulos. As esculturas s\u00e3o acompanhadas de legendas museol\u00f3gicas que cont\u00e9m breves descri\u00e7\u00f5es dos elementos originais, bem como sua proced\u00eancia e data, oferecendo pistas sobre a identidade de seus duplos originais sem revel\u00e1-los completamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joshua Sex, Dublin, 1985. Vive em Londres, \u00e9 um pintor e escritor cuja pintura est\u00e1 intrinsecamente ligada a no\u00e7\u00e3o de reciclagem. Durante o seu mestrado no Royal CollegeofArts, em Londres (2011 \u2013 2013), o artista passou a se apropriar de fragmentos de telas descartados nos corredores da universidade, usando-os como base para as suas composi\u00e7\u00f5es. O que come\u00e7ou por necessidade ou divers\u00e3o tornou-se um modus-operandi de Sex, que a partir de ent\u00e3o passou a sempre necessitar dessas pistas na forma de vest\u00edgios para compor suas telas. O artista apresenta um conjunto de cinco pinturas realizadas entre 2012 e 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As esculturas, pinturas, performances e instala\u00e7\u00f5es de Manoela Medeiros, Rio de Janeiro, 1991. Vive no Rio de Janeiro, t\u00eam como foco o corpo e suas rela\u00e7\u00f5es com o tempo e o espa\u00e7o. A alus\u00e3o \u00e0 pele e \u00e0 permeabilidade s\u00e3o elementos recorrentes tanto nos trabalhos em que utiliza seu pr\u00f3prio corpo como nas instala\u00e7\u00f5es site-specific em que trabalha sobre as superf\u00edcies da parede para criar composi\u00e7\u00f5es ambientais. Nessas \u00faltimas \u2013 a exemplo da instala\u00e7\u00e3o que a artista desenvolveu especificamente para \u201cHallstatt\u201d, Manoela Medeiros descasca obsessivamente se\u00e7\u00f5es do revestimento das paredes e cria espelhamentos das formas produzidas pela sua a\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes utilizando o pr\u00f3prio detrito de tinta produzido em sua feitura ou elementos tridimensionais incorporados ao trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fotografias de Mauro Restiffe, S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Pardo, 1970. Vive e trabalha em S\u00e3o Paulo, s\u00e3o invariavelmente produzidas por meio de procedimentos anal\u00f3gicos e sempre em P&amp;B, o que lhe permite obter uma gama de tonalidades e texturas muito mais ampla do que na fotografia digital. Ao longo das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, Mauro Restiffe desenvolveu um s\u00f3lido corpo de trabalhos no qual a arte e a arquitetura s\u00e3o assuntos recorrentes. A arquitetura de Bras\u00edlia e seu simbolismo cultural e pol\u00edtico s\u00e3o pano de fundo para duas s\u00e9ries produzidas respectivamente \u00e0 ocasi\u00e3o do empossamento do Presidente Lula (Empossamento, 2003) e do enterro de Oscar Niemeyer (Oscar, 2012), da qual uma das imagens est\u00e1 presente em \u201cHallstatt\u201d. Ao registrar o mesmo local ap\u00f3s um intervalo de tempo, o artista estabelece uma rela\u00e7\u00e3o de dualidade entre as s\u00e9ries, que faz com que as imagens sejam atualizadas e ressignificadas. A exposi\u00e7\u00e3o inclui ainda dois trabalhos da s\u00e9rie R\u00fassia (2015), que evidenciam o interesse de Restiffe em capturar imagens (pinturas, fotografias, etc) dentro da imagem fotogr\u00e1fica, ressaltando a rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica entre espectador e imagem e a natureza ilus\u00f3ria da imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nuno Ramos, S\u00e3o Paulo, 1960, onde vive e trabalha, explora no\u00e7\u00f5es de dualidade, mimese, intertextualidade e repeti\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de diferentes linguagens e materiais, que v\u00e3o do texto \u00e0 imagem, do som \u00e0 encena\u00e7\u00e3o. Em \u201cHallstatt\u201d, Nuno Ramos apresenta 3 cinzas (Ai, pareciam eternas!), uma instala\u00e7\u00e3o ef\u00eamera composta por cal, cinza e sal. O artista reproduz no ch\u00e3o do Galp\u00e3o a linha da fachada de tr\u00eas casas em que morou \u00ad\u00ad\u2013 a da av\u00f3, a da m\u00e3e e a casa onde os filhos nasceram \u2013 utilizando um p\u00f3 diferente para cada contorno. Ao longo da exposi\u00e7\u00e3o, as linhas desmancham-se e rearranjam-se com pisadas e vento. A obra alude a 3 lamas (Ai, pareciam eternas!), instala\u00e7\u00e3o site-specific realizada por Nuno Ramos em 2012 mas, sobretudo, ao deslocamento de lugares afetivos, da mem\u00f3ria. O artista exibe tamb\u00e9m a obra \u201cUn Coup de D\u00e9s\u201d, que \u00e9 uma vers\u00e3o em vidro e \u00e1cido do poema de St\u00e9phane Mallarm\u00e9, \u201cUn Coup de D\u00e9s Jamais N\u2019Abolira leHasard\u201d (1897), tido como o primeiro poema tipogr\u00e1fico da hist\u00f3ria. Na vers\u00e3o de Ramos, as l\u00e2minas de vidro s\u00e3o sobrepostas, permitindo que os versos, gravados no vidro em \u00e1cido, sejam lidos em sua totalidade. O artista contribui ainda com o ensaio Bonecas russas, li\u00e7\u00e3o de teatro, publicado originalmente em seu livro \u201c\u00d3\u201d, de 2008, e republicado no cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio de sua pr\u00e1tica art\u00edstica h\u00e1 cerca de dez anos, Oliver Laric, Innsbruck, Austria, 1981. Vive em Berlim, toma a c\u00f3pia, apropria\u00e7\u00e3o e ressignifica\u00e7\u00e3o como nortes de sua obra. Em \u201cHallstatt\u201d, Laric mostra duas esculturas que integraram sua exposi\u00e7\u00e3o recente no Secession, em Viena (Photoplastik, abril \u2013 junho de 2016), em que ele produz scans em 3D de esculturas p\u00fablicas localizadas na mesma cidade \u2013 no caso, o Monumento \u00e0 Auguste Fickert de Franz Seifert (1929) e Polar Bearand Seal, de Otto Jarl (1902) \u2013 e os reimprime em poliamida. O artista disponibiliza todos esses scans em um website, onde qualquer um pode baix\u00e1-los, apontando assim tamb\u00e9m para a no\u00e7\u00e3o de dispers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamara Henderson, New Brunswick, Canad\u00e1, 1982. Vive no Canad\u00e1, produz majoritariamente esculturas e instala\u00e7\u00f5es \u2013 por vezes funcionais \u2013 que ela imagina enquanto em um estado alterado de percep\u00e7\u00e3o, seja sob hipnose, barbit\u00faricos ou durante o sono. Em \u201cHallstatt\u201d, Henderson mostra duas grandes cortinas que produziu durante uma resid\u00eancia em HospitalfieldHouse, em Arbroath, na Esc\u00f3cia. As obras funcionam como um portal para uma realidade paralela imaginada pela artista, um elemento de transi\u00e7\u00e3o que assinala o movimento de passagem de uma dimens\u00e3o a outra. Cada uma das pe\u00e7as sintetiza o imagin\u00e1rio subjetivo associado a essas realidades, consistindo, nas palavras da artista, em \u201ccart\u00f5es postais de paisagens enxergadas atrav\u00e9s de escotilhas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tobias Hoffknecht, Bochum, Alemanha, 1987. Vive em Col\u00f4nia, formou-se na Kunstakademie de Dusseldorf, em 2013, onde estudou sob a orienta\u00e7\u00e3o de RosemarieTrockel. Adotando uma est\u00e9tica minimalista, Hoffknecht produz instala\u00e7\u00f5es geralmente compostas de duplas de elementos escult\u00f3ricos que criam diferentes rela\u00e7\u00f5es entre o espectador e o espa\u00e7o expositivo. Com acabamento preciso, suas pe\u00e7as se assemelham a ready-mades industriais, embora sejam trabalhos \u00fanicos fabricados de acordo com as especifica\u00e7\u00f5es do artista. Assim, estabelecem um di\u00e1logo estreito com o design, muitas vezes evocando mobili\u00e1rios ou interferindo diretamente na arquitetura do espa\u00e7o expositivo. Em \u201cHallstatt\u201d, Hoffknecht apresenta duas esculturas in\u00e9ditas em madeira e a\u00e7o inoxid\u00e1vel, materiais recorrentes em sua pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda em exposi\u00e7\u00e3o est\u00e3o cinco duplas de pratos que pertencem a duas cole\u00e7\u00f5es particulares de S\u00e3o Paulo e datam entre 1750 e 1860. Alguns foram adquiridos j\u00e1 em pares; em outros casos, os colecionadores compraram um e esperaram anos at\u00e9 encontrar o seu duplo. Por serem manufaturados, cada pe\u00e7a apresenta pequenas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o a seu par \u2013 uma flor maior, uma \u00e1rvore com folhagem mais espessa e assim por diante \u2013 convidando o espectador a inspecion\u00e1-los minuciosamente, como em um jogo dos sete erros. H\u00e1 uma exce\u00e7\u00e3o curiosa, em que a discrep\u00e2ncia \u00e9 a princ\u00edpio \u00f3bvia; ap\u00f3s uma an\u00e1lise pr\u00f3xima, percebe-se que enquanto ambas caldeiras apresentam diferentes cenas palacianas, suas bordas repetem o mesmo padr\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>At\u00e9 10 de fevereiro de 2017.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"https:\/\/arte351.pt\/art\/category\/colunistas-2\/colunistas\/\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-398\" src=\"https:\/\/arte351.pt\/art\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/avatar_renato_rosa-300x300.jpg\" alt=\"avatar_renato_rosa\" width=\"80\" height=\"80\" srcset=\"https:\/\/arte351.pt\/art\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/avatar_renato_rosa-300x300.jpg 300w, https:\/\/arte351.pt\/art\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/avatar_renato_rosa-150x150.jpg 150w, https:\/\/arte351.pt\/art\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/avatar_renato_rosa.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 80px) 100vw, 80px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"https:\/\/arte351.pt\/art\/category\/colunistas-2\/colunistas\/\">Coluna &#8211; <b class=\"gmail_sendername\">Renato Rosa<\/b><\/a><\/em><\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Renato Rosa, brasileiro, S\u00e3o Gabriel, RS, Brasil, 1946. Marchand, pesquisador, editor do jornal cultural O PARALELO do site <a href=\"http:\/\/www.bolsadearte.com\/oparalelo\" target=\"_blank\">www.bolsadearte.com\/<wbr \/>oparalelo<\/a>, co-autor do \u201cDicion\u00e1rio de Artes Pl\u00e1sticas no Rio Grande do Sul\u201d, (2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2000, esgotada) Editora da Universidade\/UFRGS.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Galp\u00e3o, da Fortes D\u00b4Aloia&amp; Gabriel, Barra Funda, S\u00e3o Paulo, SP, apresenta a mostra coletiva \u201cHallstatt\u201d, cuja curadoria traz os nomes de Maria do Carmo M. 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