{"id":2338,"date":"2018-09-25T11:48:23","date_gmt":"2018-09-25T11:48:23","guid":{"rendered":"http:\/\/arte351.pt\/art\/?p=2338"},"modified":"2018-10-08T12:42:57","modified_gmt":"2018-10-08T12:42:57","slug":"ceres-franco-no-arte351","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/arte351.pt\/art\/2018\/09\/25\/ceres-franco-no-arte351\/","title":{"rendered":"DEVANEIO ENTRE COLECIONADORAS"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\">Entrevista com Ceres Franco e sua filha Dominique Polad-Hardouin. Agrad\u00e1vel Devaneios entre colecionadoras!<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ceres Franco fundou sua galeria L\u2019oeil de Boeuf, (o Olho do Boi, o 1\u00b0 selo do correio franc\u00eas) ao lado do Museu Beaubourg- Pompidou em 1972, e sua filha Dominique abriu sua galeria Polad-Hardouin em 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta tarde fria de inverno em Paris, agendei um encontro na resid\u00eancia de uma das maiores damas do mundo das Artes, Ceres Franco, nascida no Rio Grande do Sul, Brasil, radicada na Fran\u00e7a desde o ano de 1951, no alto dos seus 90 anos e algo. Com a presen\u00e7a de sua filha Dominique Polad-Hardouin. Transcrevo aqui este agrad\u00e1vel devaneio entre colecionadoras:<\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2340 aligncenter\" src=\"https:\/\/arte351.pt\/art\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/arte351-ceres-franco-dominique-polad-hardouin02.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"410\" \/>Dominique Polad-Hardouin e Ceres Franco<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MG<\/strong>-Boa tarde, minha amiga Ceres Franco, com sua filha Dominique, Ceres Franco \u00e9 uma amiga e uma grande dama da arte, ela tem uma cole\u00e7\u00e3o imensa e s\u00e3o mais de 50 anos 60, trabalhando pela Arte&#8230;<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; 70 anos agora trabalhando pela arte.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Na sua inf\u00e2ncia, voc\u00ea gostava mais de desenhar, pintar, de modelar, de costurar ou era mais esportiva ou meditativa<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Mais meditativa, esportiva eu n\u00e3o tinha nenhuma voca\u00e7\u00e3o<br \/>\n<strong>DP<\/strong>&#8211; eu n\u00e3o acredito, que voc\u00ea foi meditativa<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Porque voc\u00ea n\u00e3o acredita?<br \/>\n<strong>DP<\/strong>-Porque voc\u00ea j\u00e1 tinha toda esta energia de pequena<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; sim mas eu n\u00e3o tinha voca\u00e7\u00e3o para nada<br \/>\n<strong>DPH<\/strong>&#8211; Mas voc\u00ea gostava de dan\u00e7ar, de falar, de escutar m\u00fasica, de teatro<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; sim, mas isto come\u00e7ou na minha adolesc\u00eancia, n\u00e3o quando eu era menina<br \/>\n<strong>MG<\/strong>-A sua inf\u00e2ncia foi la no RS, depois voc\u00ea foi para o Rio, depois para os USA, e depois a Fran\u00e7a<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Sim, e depois nunca mais sai daqui<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; eu sei que voc\u00ea teve uma galeria muito importante aqui, L\u2019oeil de Boeuf voc\u00ea come\u00e7ou sua galeria aqui em que ano?<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; em 72, a embaixada do Brasil me ofereceu para trabalhar na galeria Debret da embaixada, mas n\u00e3o aceitei porque j\u00e1 era tarde, eu j\u00e1 tinha um contrato com meu s\u00f3cio para abrir a L\u2019oeil de Boeuf.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Qual foi a 1\u00aa exposi\u00e7\u00e3o que voc\u00ea organizou, na sua carreira de marchand, voc\u00ea se lembra?<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; De marchand eu n\u00e3o sei bem se fui muito marchand, porque eu gostava muito mais de possuir os quadros do que vende-los. Mas a 1\u00aa exposi\u00e7\u00e3o que eu organizei fui numa loja de moveis, nas caves, no por\u00e3o da loja-El questro-, e coloquei meu nome fora, para mostrar meu nome e a lista dos 22 artistas. Uma cr\u00edtica de arte me desanimou muito, dizendo que nenhum colecionador iria entrar na cave, etc. Por\u00e9m a minha meta, a minha ambi\u00e7\u00e3o n\u00e3o era continuar na cave, sendo que eu tinha que manifestar pela primeira vez e provar que eu podia continuar manifestando em v\u00e1rios lugares afim de mostrar que eu podia trabalhar, que eu podia organizar exposi\u00e7\u00f5es, que eu tinha uma op\u00e7\u00e3o por certos artistas, que eram um pouco diferentes dos outros, do que se via no momento.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Hoje em dia qualquer um pode ser artista, basta, pegar uma foto por ex do Andy Wahrol, digitalizar, e pintar alguma coisa, colar alguma coisa e transformar, \u00e9 uma obra.<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Nossa!!<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Na \u00e9poca qual era os seus requisitos para escolher um artista?<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Primeiramente, o artista, a obra do artista, o trabalho do artista, tinha que me impressionar, tinha que me agradar, n\u00e3o sei, \u00e9 como gostar de uma pessoa. A gente fica enamorada de um quadro, de uma pintura de uma escultura, como a gente pode se enamorar de uma pessoa.<br \/>\nE da\u00ed o artista tinha que ter alguma coisa para me impressionar, para poder&#8230;sonhar. Est\u00e1vamos numa \u00e9poca muito ruim na pintura, porque era a \u00e9poca da Arte Abstrata, da abstra\u00e7\u00e3o l\u00edrica, do tachismo, do nuagismo, tudo era estas defini\u00e7\u00f5es que davam para esta arte abstrata, que era gestual e que n\u00e3o representava no fundo nada. Eram manchas, eram gestos. Bom naturalmente haviam artistas que eram excelentes, dentro desta maneira de se expressar, e eu tive que trabalhar no come\u00e7o com alguns destes artistas. Mas j\u00e1 tinham me feito uma proposta para me ocupar de uma galeria que defendia unicamente a pintura geom\u00e9trica, ai eu n\u00e3o aceitei porque eu queria representar a figura humana, dentro deste espirito novo, que estava come\u00e7ando apenas, que estava surgindo neste meio da pintura abstrata, e das manchas: figuras, e estas figuras representavam as vezes uma cara, caras, um corpo, um gesto, que representava a figura humana, e era isto que eu queria mas dentro da minha arte, que eu espera encontrar na pintura.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Voc\u00ea focou a sua cole\u00e7\u00e3o, mais para a arte bruta<br \/>\n<strong>DPH<\/strong>&#8211; isto foi depois, muito depois<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Nesta \u00e9poca eu estava buscando no meio dos artistas que eram poucos, que estavam se revelando com uma pintura, que se chamava, que come\u00e7ou a chamar creio que foi Michel Ragon, o primeiro a dar esta apela\u00e7\u00e3o: \u201d Nova figura\u00e7\u00e3o\u201d. Uma pintura figurativa, mas nova, diferente, porque havia a pintura figurativa dentro dos ensinos que as escolas de belas arte incutiam nos artistas, os que ainda faziam aquela velha figura\u00e7\u00e3o. Depois do impressionismo do fauvismo, todas estas evolu\u00e7\u00f5es na arte moderna, do cubismo e tudo isto, ai come\u00e7aram os abstratos. Os abstratos haviam os l\u00edricos, os gestuais e os geom\u00e9tricos que faziam uma pintura bonitinha, porque eu digo, com a r\u00e9gua e o compasso.<br \/>\n<strong>DP<\/strong>&#8211; Mas \u00e9 a Ecole de Modrian, comme m\u00eame&#8230;<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Sim, s\u00e3o os artistas que trabalhavam, as grandes vedetes da \u00e9poca, como o Vasarely que fez o museu.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Quando \u00e9 que voc\u00ea come\u00e7ou implicar a sua filha no mundo da arte, ou quando \u00e9 que ela come\u00e7ou a se implicar???<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Isto ela viveu ali no meio, dos artistas, isto ela vai te contar<br \/>\n<strong>DP<\/strong>&#8211; Eu posso falar franc\u00eas, \u00e9 mais f\u00e1cil pra mim<br \/>\nEu, vivi neste meio, porque eu estive no meio disto tudo, mas foi muito complicado pra mim, porque como voc\u00ea sabe em principio eu gostava muito da pintura, tinha prazer em trabalhar para alguns artistas individualmente, etc mas no come\u00e7o eu n\u00e3o queria de fazer desta profiss\u00e3o minha carreira profissional. Eu tinha muitas d\u00favidas sobre esta profiss\u00e3o, como eu via tudo isto do interior eu sentia que era muito conflitivo, com muitas concorr\u00eancias e eu n\u00e3o tinha vontade nenhuma de entrar neste meio e al\u00e9m disto era a profiss\u00e3o da minha m\u00e3e ent\u00e3o era muito complicado de estar no seu lugar, de ocupar de se posicionar, ent\u00e3o eu esperei v\u00e1rios anos.<br \/>\nE de fato verdadeiramente eu mudei de opini\u00e3o e minha \u00f3tica e vis\u00e3o me fizeram ver que eu amava a pintura a arte acima de tudo. Aos meus 35 anos eu descobri que n\u00e3o precisava ir t\u00e3o longe para mudar de escolha profissional, e que eu tinha que me reconciliar com a arte.<br \/>\nPor\u00e9m n\u00e3o foi mam\u00e3e que me fez fazer esta escolha, ela me ensinou a ver a pintura, me abriu os olhos, me lavou os olhos, etc, como eu sempre digo; por\u00e9m paradoxalmente foi um amigo de mam\u00e3e que se chama Jean Marie Heraud que me fez entrar na profiss\u00e3o, me deu a oportunidade de organizar com ele a 1\u00aa grande exposi\u00e7\u00e3o:\u201d Les heures chaudes de Montparnasse\u201d.As horas quentes de Montparnasse.<br \/>\nDepois pouco a pouco eu voltei a estudar a hist\u00f3ria da arte, e me profissionalizei, e neste momento eu comecei verdadeiramente a entrar no meio da pintura, e quando eu abri minha galeria, foi muito depois de que minha m\u00e3e j\u00e1 tinha fechado a galeria dela. Quer dizer que minha atividade, n\u00e3o \u00e9&#8230;.igual, quero dizer est\u00e1 na sua linha est\u00e9tica, evidentemente, todas as suas escolhas eu as prossegui eu continuei seguindo dentro da minha hist\u00f3ria, Eu penso que eu sou sua digna herdeira porque todos os artistas que eu defendo, eu penso que ela os ama muito, e que tamb\u00e9m ela continua comprando pra sua cole\u00e7\u00e3o. Filho de peixe, peixinho \u00e9!<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; esta \u00e9 uma pergunta para voc\u00eas duas. Quando \u00e9 que voc\u00ea teve esta ideia de legar sua cole\u00e7\u00e3o ao governo franc\u00eas??<br \/>\n<strong>CF<\/strong>-A ideia, veio muito naturalmente, depois de 20 anos com a cole\u00e7\u00e3o na cidade da Grasse, eu fui vendo que eu podia mant\u00ea-la sozinha, porque eu n\u00e3o tinha nem meios financeiros, nem a for\u00e7a, nem a energia, sozinha. Porque eu estava sozinha, eu fiz a galeria sozinha, quando eu fiz a galeria, durante 25 anos, eu era tudo na galeria, eu era tudo minha empregada que fazia a limpeza, escrevia os convites \u00e0 m\u00e3o, levava nos correios, enfim eu fazia tudo. Era meu pr\u00f3prio diretor art\u00edstico, eu era tudo, porque n\u00e3o tinha meios financeiros para pagar uma secretaria. Por isso eu era muito desorganizada.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Sim, mas voc\u00ea, conseguiu fazer uma cole\u00e7\u00e3o enorme, imensa, acho que tem mais ou menos quase 3000 obras de artes<br \/>\n<strong>DP<\/strong>&#8211; duas mil obras de arte<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; e conseguiu a deixar este legado para um p\u00fablico.<br \/>\n<strong>CF<\/strong>-Continuei trabalhando na galeria, e fazendo exposi\u00e7\u00f5es de vez em quando em outros lugares, mas antes da galeria eu tive outra atividade, durante 10 anos para aprender um pouco a profiss\u00e3o de comiss\u00e1ria de exposi\u00e7\u00f5es, e os artistas eram meus amigos e come\u00e7aram a me darem quadros, de presentes. Eu organizava um jantar e eles vinham com um quadro, um desenho, uma coisa assim embaixo do bra\u00e7o. Eu fazia o trabalho que voc\u00ea tamb\u00e9m ainda faz com eles: de ajudar, de levar os quadros dentro do meu carro. Eu tinha um carrinho 4CV com um rack no telhado do meu carrinho e eu levava para o sal\u00e3o de maio, para o Grand Palais, para o museu etc enfim eu os ajudavam dentro da medida do poss\u00edvel cada artista, e eles sempre me agradeciam com um quadro, com uma obra de arte, qualquer coisa que correspondia o trabalho deles.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; E voc\u00ea ainda tem, a primeira obra da sua cole\u00e7\u00e3o, voc\u00ea se lembra qual foi a sua primeira obra, da aquisi\u00e7\u00e3o, da doa\u00e7\u00e3o, que voc\u00ea comprou?<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; \u00e9 que um quadro esconde o outro, porque se foi amontoando, a cole\u00e7\u00e3o foi se fazendo, e agora eu n\u00e3o me lembro qual foi a primeira. Os primeiros artistas que eu comprei pessoalmente, foi na ideia de ajudar financeiramente. Eu tinha pouco dinheiro, mas o pouco que eu tinha eu sempre economizada para comprar um quadro.<br \/>\n<strong><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2341 alignright\" src=\"https:\/\/arte351.pt\/art\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/arte351-ceres-franco-dominique-polad-hardouin03.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"675\" \/>DP<\/strong>&#8211; O primeiro n\u00e3o foi o Tib\u00e9rio?<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Este Tib\u00e9rio estava numa mis\u00e9ria ai. Bom n\u00e3o era tanta mis\u00e9ria assim, mas, vinha sempre se queixar.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Historias dos artistas voc\u00ea tem muitas, mas, voc\u00ea recebeu uma legi\u00e3o de honra do governo franc\u00eas<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; N\u00e3o \u00e9 Legi\u00e3o de honra. Sou chevalier da ordem das Artes e Letras. Isto foi em 75.<br \/>\nMas no ano de 65 eu tinha organizado uma exposi\u00e7\u00e3o muito importante em colabora\u00e7\u00e3o com o Jean Boghici, no museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Nessa \u00e9poca a Niomar Muniz Sodr\u00e9 ex diretora do museu do Rio, disse: \u201ceh! \u00e9 a sra que trabalha com a cultura brasileira que quer n\u00e3o sei o que, organizar exposi\u00e7\u00f5es? \u201d Com um ar de lado assim,<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Frivolo<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; de certa maneira, com um certo desprezo pelo meu trabalho. Tinha que respeitar o que eu estava fazendo.<br \/>\nSei isto faz parte, \u00e9 coisa de rivalidades do meio art\u00edstico, embora eu ainda n\u00e3o tivesse a galeria, mas comecei desde os anos 60 a organizar exposi\u00e7\u00f5es. J\u00e1 havia muita gente que me chamava para organizar exposi\u00e7\u00f5es. As galerias da Fran\u00e7a me pediam para organizar, para fazer grupos de artistas e assinar meu nome como comiss\u00e1ria. Para atrair o p\u00fablico, mas n\u00e3o se vendia nada nesta \u00e9poca. Fazia-se muitas festas, mas n\u00e3o havia dinheiro.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Em que ano que voc\u00ea montou uma exposi\u00e7\u00e3o no museu de arte moderna da vila de Paris?<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Isto foi nos anos 80, N\u00e3o me lembro o ano, eu tinha o catalogo aqui com a foto da escultura da italiana\u2026. Agora n\u00e3o sei aonde est\u00e3o.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; depois verifico nos arquivos<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Dominique, quais s\u00e3o os futuros objetivos, da cole\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<strong>DPH<\/strong>&#8211; Da cole\u00e7\u00e3o, o primeiro objetivo \u00e9 de ficar aberto para o p\u00fablico e continuar mostrando de maneira permanente a cole\u00e7\u00e3o, de ter um local. Porque quando estava antes l\u00e1 na Lagrasse, era muito artesanal somente um m\u00eas e meio por ano; e mam\u00e3e, n\u00e3o tinha meios nem condi\u00e7\u00f5es de fazer da comunica\u00e7\u00e3o, e de trazer um p\u00fablico para visitar, participar e de ancorar esta cole\u00e7\u00e3o junto ao territ\u00f3rio. Agora que j\u00e1 passou a ser bens p\u00fablicos h\u00e1 quase 5 anos, j\u00e1 instalada no seu Territ\u00f3rio pr\u00f3prio. Por ex Toda semana tem escolas que vem visitar, que descobrem a cole\u00e7\u00e3o, estudantes que ficam maravilhados com a descoberta, as crian\u00e7as participam de ateliers com os artistas da cole\u00e7\u00e3o que animam estes ateliers junto ao p\u00fablico. Tentamos de criar eventos. Quero precisar que a regi\u00e3o da L Aude, \u00e9 uma regi\u00e3o muito pobre. Possui muito poucas manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Ent\u00e3o \u00e9 muito importante especificar que a presen\u00e7a desta cole\u00e7\u00e3o \u00e9 como um presente para este Territ\u00f3rio.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; O endere\u00e7o \u00e9 em Montolieu<br \/>\n<strong>DDPH<\/strong>&#8211; Montolieu, \u00e9 a 18 Km de Carcassone, \u00e9 uma cidadezinha, que tem como particularidade de ser a cidade do livro. Ent\u00e3o tem entre 15 a 18 livrarias que existem l\u00e1. Desta maneira que j\u00e1 tem esta caracter\u00edstica do seu lado um pouco intelectual, n\u00e3o \u00e9 uma cidade qualquer. O que muito bonito, \u00e9 que a cole\u00e7\u00e3o ficou reunida numa antiga vin\u00edcola. E um im\u00f3vel muito bonito. Tem esta grande sala, e os antigos toneis aonde guardavam os diferentes vinhos, foram abertos e fazem como pequenos ninhos, pequenas alcovas que permitem de perfazerem pequenas salas de exposi\u00e7\u00f5es al\u00e9m deste grande hangar. E um espa\u00e7o majestoso, e ao mesmo tempo dif\u00edcil porque \u00e9 um grande espa\u00e7o, de 800 M2.Tamb\u00e9m \u00e9 formid\u00e1vel de poder organizar todos os anos uma bela exposi\u00e7\u00e3o. E como a cole\u00e7\u00e3o \u00e9 importante. Todo ano mudamos a montagem afim de permitir mostrar os diversos aspectos das obras da cole\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Uma \u00faltima pergunta. Se por acaso tivermos um problema meteorol\u00f3gico, clim\u00e1tico um problema qualquer uma cat\u00e1strofe. Falando entre arqueologia, arquitetura, enfim o mundo das artes em geral. Qual seria a obra que voc\u00ea tentaria, que voc\u00ea tivesse a possibilidade de levar contigo para algum lugar, gostaria se tivesse a oportunidade de salvar deste planeta?<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Tudo<br \/>\n<strong>MG<\/strong>-DPH- ai \u00e9 complicado!<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Claro que \u00e9 complicado. Um desastre total. Pra mim seria horr\u00edvel, perder um trabalho de uma vida<br \/>\n<strong>DPH<\/strong>&#8211; Ela n\u00e3o est\u00e1 falando de sua cole\u00e7\u00e3o<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Eu estou falando no planeta. Um monumento, uma pe\u00e7a arqueol\u00f3gica, uma obra de arte, eu n\u00e3o sei qualquer coisa, que voc\u00ea acharia que tem um valor primordial para a civiliza\u00e7\u00e3o que voc\u00ea gostaria de salvar.<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; E dificil\u00edssimo, tem tantas coisas, o mundo art\u00edstico \u00e9 t\u00e3o rico, \u00e9 t\u00e3o maravilhoso, me trouxe tanta alegria tanta felicidade de poder penetrar aos poucos neste mundo e poder atrav\u00e9s da hist\u00f3ria da arte tudo que eu vi. Quando eu estive por ex. na capela Sistina, os afrescos do teto da capela do Miguel Angel eu tinha lagrimas os olhos, assim chorava de emo\u00e7\u00e3o. Esta mesma emo\u00e7\u00e3o eu senti no ano passado na exposi\u00e7\u00e3o que foi organizada pelo Jean Hubert Martin, segundo a minha ideia e a minha paix\u00e3o pela arte. A exposi\u00e7\u00e3o mais maravilhosa que ele organizou na vida dele foi \u201c Les magiciens de la terra\u201d em 1989 no centro Pompidou e na Halle de la Villette. Esta exposi\u00e7\u00e3o pra mim foi uma revela\u00e7\u00e3o maravilhosa, porque coincidia ao espirito que eu estava dando a minha galeria. Misturando uma arte intelectualizada de artistas que fizeram os estudos nas escolas de Belas Artes mas estavam buscando uma outra express\u00e3o mais humana, mais pr\u00f3xima, menos intelectualizada do que o movimento oficial que se estava criando nos anos 70, que era o conceitualismo. E ele fez reunir obras de artistas do mundo inteiro que do popular e do folcl\u00f3rico e da cria\u00e7\u00e3o de um artista dentro de um n\u00edvel mais intelectualizado, ele reuniu tudo isto mostrando a riqueza do ser humano dentro da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, dessa cria\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. E era isto que eu queria dar como espirito para minha galeria. Mas a minha galeria foi uma gotinha de agua dentro deste oceano.<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Mas eu acho que voc\u00ea, n\u00e3o \u00e9 uma gotinha de agua porque voc\u00ea est\u00e1 deixando uma cole\u00e7\u00e3o imensa para o p\u00fablico.<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; Comparado com os grandes museus, \u00e9 uma coisinha<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; Uma \u00faltima pergunta pra voc\u00ea e Dominique.<br \/>\n&#8211; O que \u00e9 na vida ser colecionador(a)?<br \/>\n<strong>DPH<\/strong>&#8211; Esta pergunta \u00e9 pra ela sobretudo. Olha Ela vai ontem e comprou ainda este quadro. N\u00e3o vai acabar nunca. Se ela n\u00e3o compra obras, \u00e9 como ela tem emo\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o pode, ela n\u00e3o est\u00e1 feliz. Risos&#8230;.<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; eu cheguei aqui e n\u00e3o tem lugar para colocar. Se tivesse comprado um apto maior, ai eu tinha mais&#8230; Risos&#8230;<br \/>\n<strong>MG<\/strong>&#8211; \u00e9 o seu sentido de viver<br \/>\n<strong>CF<\/strong>&#8211; \u00e9 a minha raz\u00e3o de viver.<br \/>\nMuito obrigadas amigas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>&gt;&gt; Paris 21 de fevereiro de 2018, Marci Gaymu<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">La Coop\u00e9rative Collection C\u00e9r\u00e8s Franco<br \/>\nwww.collectionceresfranco.com<br \/>\n5, route d\u2019Alzonne<br \/>\n111770 Montolieu Fran\u00e7a Tel +33(0)4 68 76 12 54<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2342 alignleft\" src=\"https:\/\/arte351.pt\/art\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/avatar-marci.jpg\" alt=\"\" width=\"108\" height=\"105\" \/><em><strong>Coluna da Marci Gaymu<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Franco-brasileira, Marci se especializou e cursou Cinema, Turismo e Historia de Arte, Desenho, Pintura, Gravura, Litografia, Joalheria. Em 1987 Fundou em Paris a MARCI GAYMU GALLERY, tendo escrit\u00f3rios em Hong Kong e Madrid, se especializando em Arte Latino Americana. Marci atua como comissaria e curadora de exposi\u00e7\u00f5es internacionais, promotora em feiras especializadas, simp\u00f3sios, bienais, editora de cat\u00e1logos de arte e ex- editora da revista Forum Artis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Ceres Franco e sua filha Dominique Polad-Hardouin. Agrad\u00e1vel Devaneios entre colecionadoras! 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