Museu Soares dos Reis lança oficinas que cruzam arte do século XIX com ofícios tradicionais

O ciclo “Gerações Criativas: Retratos de um Ofício” arranca no dia 28 de março com uma oficina de renda de bilros, inspirada em obras da coleção do museu, e estende-se ao longo de 2026 com sessões dedicadas à olaria, cestaria e bordado.

O Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR) apresentou esta semana o ciclo de oficinas “Gerações Criativas: Retratos de um Ofício”, uma iniciativa que promove, ao longo de 2026, um diálogo entre as suas coleções de pintura e escultura académica do século XIX e os saber-fazer dos ofícios tradicionais portugueses. Integrado no tema orientador da programação anual do museu, “Cruzamentos Artísticos”, o projeto convida a comunidade a uma viagem sensorial e prática que cruza arte, património e sustentabilidade.

A primeira oficina, dedicada à Renda de Bilros, está agendada para o dia 28 de março, pelas 15h00. A sessão parte da obra Interior – rapariga a fazer renda de bilros, da pintora Sofia de Souza, para explorar a precisão e a atenção retratadas nas cenas de interior do século XIX. Tal como nas restantes oficinas do ciclo, a atividade divide-se em dois momentos complementares: uma análise orientada da obra, com enfoque na sua dimensão estética e social, seguida de uma componente prática conduzida por artesãos e mestres locais.

O programa trimestral estende-se por todo o ano, sempre inspirado em obras emblemáticas do museu:

  • 1.º Trimestre | março: A Renda de Bilros – A partir de Interior – rapariga a fazer renda de bilros, de Sofia de Souza.

  • 2.º Trimestre | junho: A Olaria – Inspirada em Louças de Barcelos, de Eduardo Viana, com modelagem do barro numa ligação entre tradição e contemporaneidade.

  • 3.º Trimestre | setembro: A Cestaria – Partindo de A Filha dos Condes de Almedina, de António Soares dos Reis, para entrelaçar resistência e delicadeza.

  • 4.º Trimestre | dezembro: O Bordado – A partir de Entre o almoço e o jantar ou interior (costureiras trabalhando), de Marques de Oliveira, para reviver pontos e narrativas criadas à luz da candeia.

Para além do cruzamento entre arte e ofício, o ciclo “Gerações Criativas” assinala o contributo do MNSR para a Agenda 2030 da ONU, promovendo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) através da sensibilização para a redução da pegada ecológica individual e a valorização de práticas sustentáveis.

“As oficinas convidam os participantes a refletir sobre o retrato social presente nestas obras: quem eram estas pessoas, como trabalhavam, quais os seus gestos, ferramentas e o significado do trabalho manual na sua dignidade e identidade”, explica a organização em comunicado. O objetivo é proporcionar uma experiência que mostre que “a arte não vive apenas nos museus, mas também no gesto preciso da rendilheira, nas mãos do oleiro e do cesteiro, e na agulha da bordadeira – reconhecendo o passado como matéria-prima para inovar o futuro”.

Dirigidas à comunidade em geral, as oficinas têm forte componente prática, sustentada numa base teórica sólida, e afirmam-se como um espaço de encontro entre gerações, memórias e futuros possíveis. Mais informações sobre inscrições e horários podem ser obtidas junto do Museu Nacional Soares dos Reis.