Paris, 10 de abril de 2026 – O Musée d’Art Moderne de Paris (MAM) apresenta, a partir desta sexta-feira (10 de abril) até 2 de agosto de 2026, a maior retrospectiva dedicada a Lee Miller já realizada na França em vinte anos. Com cerca de 250 impressões vintage e modernas, muitas inéditas em exposições, a mostra oferece um novo olhar sobre a obra multifacetada da artista americana (1907-1977).
Iniciada pelo Tate Britain, em colaboração com o Art Institute of Chicago, a exposição percorre toda a trajetória de Lee Miller, desde seus primeiros anos como modelo de moda em Nova York até sua atuação como correspondente de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, passando por sua fase surrealista em Paris, o período no Egito e sua vida em Londres. Reconhecida hoje como uma das principais fotógrafas do século XX, Miller foi modelo, artista surrealista, retratista, fotógrafa de moda e correspondente de guerra credenciada pelo Exército dos Estados Unidos.

Dividida em seis seções que combinam abordagem cronológica e temática, a retrospectiva destaca a experimentação formal, a ousadia visual e o engajamento político presentes em sua produção. Entre os destaques estão os retratos feitos por grandes nomes dos anos 1920 e 1930, sua colaboração com Man Ray (com quem descobriu e explorou criativamente a técnica da solarização), os trabalhos realizados no Cairo com ênfase em texturas e ângulos inusitados, e sua cobertura do Blitz em Londres para a Vogue.
A exposição dá especial relevância ao período de guerra. Miller foi uma das poucas mulheres fotógrafas credenciadas como correspondente de guerra. Ela acompanhou o avanço das tropas aliadas após o Dia D, registrou a libertação de Saint-Malo, visitou os campos de concentração de Dachau e Buchenwald logo após a libertação e produziu imagens icônicas, como a foto em que posa na banheira do apartamento de Adolf Hitler em Munique, em 30 de abril de 1945. Suas reportagens, publicadas na Vogue, foram pioneiras ao revelar ao público a realidade do extermínio nazista.
Após a guerra, Miller estabeleceu-se na Farley Farm House, em Sussex, com o marido Roland Penrose e o filho Antony. A última seção da mostra revela sua vida mais pessoal, com retratos da família e do círculo de artistas, além de sua paixão pela culinária.

A mostra conta com um catálogo completo, adaptado e traduzido por Paris Musées, com ensaios de curadores como Fanny Schulmann (MAM Paris), Hilary Floe (Tate Britain) e Damarice Amao (MNAM), além de um texto da escritora Deborah Levy. A exposição tem a participação dos Lee Miller Archives e apoio da Sfil.
De modelo icônica da vanguarda internacional a testemunha ocular dos horrores da guerra, Lee Miller construiu uma obra poderosa que transcende rótulos. Esta retrospectiva no MAM Paris resgata e celebra sua independência artística e seu olhar único, convidando o público a redescobrir uma das figuras mais fascinantes da fotografia do século XX.
Serviço
Lee Miller
Musée d’Art Moderne de Paris
De 10 de abril a 2 de agosto de 2026
Mais informações e ingressos: www.mam.paris.fr

