UM OLHAR QUASE INVISÍVEL DA PAISAGEM

Iniciado em 2008, o ensaio Quasinvisível é um projeto urbano que se desenvolveu a partir de em três pilares: arquitetura, vitrines e sinalética vária. O fotógrafo e escritor Ozias Filho, com quem temos o prazer de dividir as páginas do Arte351, define este trabalho como uma “quase invisibilidade”. Dando atenção especial ao pelo conceito que as imagens encerram, ou seja: “uma memória de cidade coletiva que, no entanto, não é vista pelos seus atores principais, as pessoas que vivem e representam neste imenso palco urbano.” Ozias Filho mostra a cidade com um olhar próprio, a enxergar o que está quase invisível, ou melhor; “Quasinvisível”!

Em nenhuma das imagens feitas ao longo do ensaio, presente no livro, o artista inseriu pessoas. Isso se deu propositadamente, mas segundo Ozias; “Pode não estar em carne e osso (papel ou pixel), o que não significa dizer que ela esteja invisível (e por isso o Quasinvisível), pois em tudo – como no poema Operário em Construção, de Vinícius de Moraes – eu vejo a mão do ser humano, a sua representação social, a sua herança e o seu fado.”

Apesar de ter finalizado o ensaio em 2014, o artista afirma que o trabalho, que conta com alguns milhares de fotografias, não é um tema esgotado podendo ter uma sequência. “É um trabalho em construção toda vez que saio à rua, com ou sem uma máquina fotográfica.”

“O que agora se apresenta em livro é parte de algo maior, assim como é menor o que se mostra nas paredes de qualquer sala expositiva. Portanto, aquilo que não está na parede ou no livro (a parte visível para todos) ou que está no meu arquivo é apenas uma parte, um fragmento que, na verdade, está por todos os lados do nosso quotidiano e espera, pacientemente, que o tornemos visível. Contudo é preciso olhar com olhos de ver (com olhos de semear).”

A exposição sobre o ensaio Quasinvisível estará patente na Casa da América Latina até ao dia 27 de Julho.

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