Morre aos 98 anos o estilista francês Pierre Cardin

Conheci e convivi com o inigualável Pierre Cardin.

Eu tive o prazer de conviver com este Mestre da moda. Um gênio que abriu a porta para vários artistas e foi mecenas de muitos, entre eles o meu amigo artista Marcos Marin. Apaixonado pela arte, Pierre Cardin é um dos patronos da Bienal de Veneza.

Renato Rodyner e Pierre Cardin

Conheci Pierre Cardin em Lacoste, cidade francesa, em seu Castelo que pertenceu ao Marquês de Sade. Foi Marcos Marin que me apresentou a ele. Sinto-me lisonjeado ao recordar aqueles momentos, de lembrar que um quadro meu está pendurado em uma das paredes do castelo de Cardin.

Com a simplicidade das pessoas nobres de espírito, Pierre Cardin sempre foi solícito e gentil, inclusive me convidou a ficar hospedado em sua casa em Lacoste. Nesta visita fui levado a jantares regados a vinhos excepcionais e com o melhor da gastronomia francesa. Em outras ocasiões fomos a bailes em Paris. Sempre analítico e atualizado com o que acontecia no mundo da arte, tivemos diversas conversas que me engrandeceram de conhecimento e sensibilidade. Sinto-me triste pela sua partida, mas trago em mim a gratidão de tê-lo conhecido e de ser um dos artistas a vigorar em sua colecção de Arte.

Pierre Cardin eternizou seu estilo futurista e design inspirado na Era Espacial. Um dos últimos vultos da Alta-Custara europeia e percursor do pronto-a- vestir na adolescência, aos 14 nos deu os primeiros passos numa alfaiataria em Sanint-Étienne. Em Parais, viria a trabalhar em 1944 com Madame Paquin- onde desenhou os figurinos e mascaras do filme A Bela e A fera(1946),de Jean Cocteau- passaria também pelo ateliê da italiana Elsa Schiaparellie tornar-se-ia chefe do ateliê dos alfaiates de Cristian Dior, em 1947.

Renato Rodyner e Pierre Cardin no Castelo do Marquês de Sade
Renato Rodyner e Pierre Cardin no Castelo do Marquês de Sade
Renato Rodyner e Pierre Cardin no Castelo do Marquês de Sade
Baile de Gala em Paris - Renato Rodyner, Pierre Cardin e Marcos Marin
Pierre Cardin ao lado da obra em sua homenagem criada pelo artista Marcos Marin
Concerto do artista brasileiro Orlando Moraes no Espaço Pierre Cardin em Paris

Criou em 1950 sua própria marca (Pierre Cardin) e revolucionou o mundo da moda foi um dos primeiros a pensar no conceito unis-sexo, assim como na própria ideia de pronto-a-vestir. fez uma primeira colecção em 1959 .

Pioneiro, foi o primeiro criador de moda a desenhar uma colecção masculina, em 1960. Dois anos depois desenhou outra colecção para ser vendida em armazéns Printemps causando escândalo que lhe valeu a expulsão da Chambre Syndicale de la Hayte Couture,a confederação de criadores da alta costura ( o que todos acabaram fazendo depois dele) em 1966 foi readmitido, tendo mais tarde chegado à presidência daquela estrutura.

Tem muito do que falar deste génio da arte que deixa marcas de sua passada pela terra. Não teve medo, também, de se aventurar noutros mercados que não o europeu. Chegou à China em 1978 e abriu um showroom em Pequim em 1981 — em 2018 fez uma enorme passagem de modelos, para assinalar os seus 40 anos naquele país, com a Muralha da China como cenário. Em 1986 desfilou na Praça Vermelha, em Moscovo, no ano seguinte abriu uma loja na mesma cidade. A última loja de luxo que inaugurou foi em 2017, em Paris, na Rue Royale.

Segundo o Le Figaro, Pierre Cardin detinha à data da sua morte mais de 850 licenças de produtos e 500 fábricas, empregando cerca de 200 mil pessoas directa ou indirectamente em todo o mundo. Orgulhou-se sempre do seu percurso feito a pulso de filho de migrantes pobres (eram sete irmãos) que singrou num mundo de luxo e esplendor. Em 2017, para uma exposição sobre a imigração italiana no Museu da Imigração, em Paris, intitulada Ciao Italia! — que contemplava outros famosos como os actores Yves Montand (1921-1991) ou Serge Reggiani (1922-2004) —, o criador declarou: “Eu sou o meu maior sucesso. Sou uma criança do subúrbio e tornei-me Pierre Cardin. Se tivesse de recomeçar, voltaria a fazê-lo com muito entusiasmo.”

Aqui fica meu testemunho de Gratidão por apoiar-me, bem como muitos artistas brasileiros das artes plásticas, musica e cinema. Há muito que falar deste génio e de sua visão do futuro que deixou para sempre sua marca na passagem por este plano de vida. Pierre Cardin amava a vida e a arte, em seus 98 anos, quase um século de vida, ele mostrou talento e inovação que o levaram ao topo do mundo da moda. Nascido a 2 de Julho de 1922, em Veneza, na Itália. Oriundo de uma família de agricultores que foram procurar melhor vida em França. Chegou ao mundo como Pietro e se despediu como Pierre Cardin, uma das maiores marcas da história da moda.

Coluna – Renato Rodyner
Renato Rodyner, brasileiro, Porto Alegre, RS, Brasil, 1962. Artista plástico, Jornalista, Curador e Crítico de Arte, proprietário da Rodyner Gallery e Editor Geral da “Arte351 Magazine”.