Festival de Arte Pública oferece oficina de hip hop em Cabo Verde

O Festival de Arte Pública quer contribuir para uma maior integração das comunidades no desenvolvimento do turismo sustentável através da ampliação e diversificação da oferta turística em Cabo Verde.

Após adiamento por causa da pandemia COVID19, o Festival Internacional de Arte Pública – FAP inaugurado em janeiro, fornecerá oficina de hip hop a partir deste sábado (16) de janeiro 2021, na Achada Grande Frente, Praia. Esta oficina é destinada a rappers, djs e b-boys e será facilitada pelos rappers Kuumba Cabral, Ga DaLomba, Batchart e o artista Princezito. Já estão abertas as inscrições.

O FAP já recebeu obras de arte do artista plástico brasileiro Alexandre Keto, que ofereceu ao bairro uma “sereia”, que reflecte a vida das pessoas da Achada Grande Frente e a sua ligação com o mar. O festival vai ainda receber mais artistas plásticos nacionais e internacionais nos próximos dias.

O Festival Internacional de Arte Pública é um evento artístico e social que intervirá no espaço público urbano, a promover a exploração, o conhecimento e a expressão das dinâmicas urbanas e a criação dum circuito artístico alternativo e difuso que ligue vários pontos do território.

O objetivo do Festival é contribuir para uma maior integração das comunidades no desenvolvimento do turismo sustentável através da ampliação e diversificação da oferta turística em Cabo Verde.

O FAP, que dá continuidade ao programa de arte urbana do projeto Xalabas, incluirá a realização de obras de arte individuais e coletivas, workshops e outros eventos e atividades no bairro e na cidade.

Xalabas é um projeto de associação Pilorinhu e ONG Africa 70, em parceria com a Câmara Municipal da Praia, cofinanciado pela UE em Cabo Verde. O FAP conta com o apoio SITA – Tintas

 

Oficina de HipHop

No âmbito das atividades do Festival de Arte Pública de Achada Grande Frente, os rappers Kuumba Cabral, Ga DaLomba, Batchart e o artista Princezito irão facilitar entre os dias 16 a 30 de janeiro uma Oficina do Hip-Hop destinada a rappers, djs e b-boys. Para info e inscrições envie mensagens até dia 13 de Janeiro para o email [email protected] ou para o número 9790592.

 

Alexandre Keto

Alexandre Keto deu início ao Festival. Ele começou a desenhar e pintar como a paixão das crianças aos seis anos de idade. Crescido em São Paulo, Brasil, as suas obras são fortemente influenciadas pelo Samba, pela sua adoração espiritual aos Orixás e pelo grafite americano. Criar esta representação positiva permitiu a Keto ficar mais próximo da sua missão: celebrar, reconectar e valorizar a herança africana.

Por meio de seu trabalho começou também a se aproximar à história, aos sentimentos, aos problemas e aos desejos de pessoas não apenas em sua própria comunidade, mas de todo o mundo. Dessa sensibilidade resultou a sua ambição de não apenas ser reconhecido e apreciados pelos críticos de arte, mas de mudar a vida das pessoas que encontra, cumprindo a sua pequena parte para construir uma sociedade melhor.

Nos últimos dez anos, Alexandre Keto realizou mais de 1.000 murais e pinturas em mais de 21 países, colaborando em projetos sociais com organizações notáveis ​​como as Nações Unidas, o Consulado dos Estados Unidos, a Embaixada do Brasil e Médicos Sem Fronteiras. Keto também fez parceria com várias organizações de base, ajudando a espalhar sua mensagem em bairros marginalizados em várias partes do mundo. Keto estará a trabalhar em Achada Grande Frente de 3 a 13 de Janeiro.

 

Bento Lima Oliveira

No âmbito das atividades do #FAP Festival de Arte Pública de Achada Grande Frente, Bento Lima Oliveira irá organizar de 7 a 17 de Janeiro ‘KATI KATI Gráfiku’, uma oficina de xilogravura para quem queira aprender esta linda técnica com um grande mestre.

Bento Alexandre Lima Fortes Oliveira nasce em 1973, na ilha de Santo Antão, no arquipélago de Cabo Verde. Após terminar os estudos primários na vila da Ribeira Grande, viaja para a ilha vizinha, São Vicente. Aqui vivencia os seus primeiros naufrágios diante da paisagem que o circunda. Descobre, então, as artes visuais como forma de exprimir as suas atitudes e inquietudes perante a vida.

A topografia acidentada, a sensualidade emanada pela paisagem materna, nas suas dimensões geográficas e humanas, e a “vivência ao sol” do homem que a habita, representam as linhas de força que dão sentido ao seu caminho poético e visual. Depois de uma estadia na Amazónia, onde se licenciou em Educação Artística – Habilitação Artes Plásticas Universidade Federal do Pará (Brasil) – Bento Oliveira regressa a Cabo Verde, a sua eterna inspiração e musa da sua arte.

 

João Baptista Mendes Cardoso

Sabino Gomes Horta

Mais dois grandes artistas Caboverdianos, Fico e Sabino da comunidade dos Rabelados de Espinho Branco, entre os participantes do #FAP Festival de Arte Pública!

Sabino Gomes Horta (1986), membro da comunidade de Rabelados de Espinho Branco, nasceu no alto das montanhas da Ilha de Santiago, Cabo Verde. Nascido e criado em Chã de Ponta, foi filho das montanhas e delas se fez aprendiz da vida até aos doze anos de idade. Com essa idade, veio viver para Espinho Branco e integrou a grupo Rabelarte. Sem conhecer a escola, fez dos pincéis as suas palavras e atualmente é um dos seis artistas residentes na aldeia.

Dedica diariamente o seu tempo à agricultura, pecuária e construção civil. No entanto, sempre que é possível, procura dedicar-se à pintura em exclusivo. Já expôs em S. Vicente e em Santiago e participou em exposições internacionais dos Rabelarte em França, Holanda, Espanha e Portugal. Sabino é um pintor humorístico que gosta de brincar com o dia a dia dos afazeres da comunidade e das brincadeiras das crianças. O diálogo da sua pintura abraça o vento da diplomacia criativa. É um dos pintores e ilustradores do projeto «Estórias do Meu País Inventado»

João Baptista Mendes Cardoso “Fico” (1982) é um membro da comunidade dos Rabelados de Espinho Branco, na Calheta de S. Miguel, ilha de Santiago, Cabo Verde. Educado nos princípios da tradição oral, sem conhecer a escola nem as palavras escritas, Fico segue os modelos de vida e as tradições dos seus antepassados. Dedica-se à criação de gado, à agricultura e à construção civil. A pintura e as artes plásticas são um trabalho autodidata que vai explorando e desenvolvendo no seu quotidiano. Esporadicamente, também pratica olaria. Expôs em S. Vicente e Santiago, Cabo Verde, e participou nas exposições internacionais da RabelArte, em França, Espanha, Holanda e Portugal. É um dos pintores e ilustradores do projeto «Estórias do Meu País Inventado» e ilustrador do livro Burro Carga-d’água (2019).