MEMO: Um mergulho na memória como resistência à opressão

No dia 31 de outubro, às 21h30, o Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova, será palco da estreia de MEMO, uma criação da atriz e dramaturga Marlene Barreto. Este espetáculo integra a trilogia Teoria do Pessimismo e é a segunda obra desta série de reflexões profundas sobre os desafios da democracia e as ameaças que a opressão pode trazer à humanidade. Com uma envolvente criação musical de Madalena Palmeirim, MEMO convida o público a refletir sobre os perigos de uma sociedade que desumaniza seus indivíduos ao apagar suas memórias.

A peça é um retrato distópico onde a memória – ou a ausência dela – se torna uma ferramenta poderosa de controle. A protagonista, Ewa, vê-se privada de suas lembranças e, sem sua identidade, é transformada em uma marionete à mercê de uma Ordem totalitária. Através da sua jornada, MEMO explora questões de manipulação, resistência e, sobretudo, a importância de preservar a memória como forma de resistência contra qualquer forma de opressão.

O espetáculo não só questiona o presente, como alerta para o futuro. Marlene Barreto, única intérprete de MEMO, mergulha na narrativa de uma sociedade patriarcal extrema, onde as mulheres são subjugadas e suas memórias, apagadas. A peça cria uma poderosa metáfora para as estruturas de poder que, ao longo da história, têm silenciado vozes e apagado histórias.

Com um olhar crítico, Barreto desafia o público a ponderar sobre as consequências de uma sociedade que sacrifica a liberdade e a igualdade em nome de um poder autoritário. Ao longo da trama, a peça também confronta a responsabilidade da própria criadora teatral, que narra a história de Ewa e lida com suas próprias questões sobre o impacto das imagens de opressão que perpetua em sua obra.

MEMO é um espetáculo que vai além do entretenimento, proporcionando um espaço de reflexão, um convite a pensar sobre o papel que a memória tem em nossa luta constante por justiça, liberdade e igualdade.

Após sua estreia em Idanha-a-Nova, MEMO seguirá para outras localidades, subindo ao palco do Teatro José Lúcio Silva, em Leiria, no dia 14 de dezembro, e em 2025, em cidades como Portalegre, Loulé e Bragança.

Sobre Marlene Barreto

Nascida em Loulé em 1984, Marlene Barreto é uma das vozes emergentes do teatro contemporâneo em Portugal. Formada em Comunicação Social e Cultural pela Universidade Católica Portuguesa, Barreto se destacou no campo da dramaturgia com a sua abordagem crítica e desafiadora às questões sociais e políticas da atualidade. Fundadora da Mescla – Associação Cultural, a artista tem concentrado seus esforços nos últimos anos na criação da trilogia Teoria do Pessimismo, que aborda os perigos que ameaçam a democracia e as liberdades individuais.

Com MEMO, Barreto continua a construir seu legado de resistência através da arte, oferecendo uma obra que dialoga tanto com o presente quanto com os fantasmas de um futuro possível.

Serviço:

  • Estreia de MEMO
    Data: 31 de outubro
    Horário: 21h30
    Local: Centro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova
  • Sessão em Leiria
    Data: 14 de dezembro
    Local: Teatro José Lúcio Silva