Lisboa recebeu, na manhã de 27 de fevereiro, um pequeno-almoço promovido pelo Secretaria de Turismo do Governo de Minas Gerais no contexto da BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market, que juntou sabores do Estado e novas propostas turísticas dirigidas ao mercado português. O encontro “Destino Minas Gerais em Portugal”, realizado no Tivoli Oriente, no Parque das Nações, apresentou o enoturismo mineiro como umas das apostas do destino, posicionando o vinho como uma nova ponte cultural entre Minas Gerais e Portugal, ao lado da gastronomia, da arquitetura histórica e das rotas patrimoniais que já aproximam os dois territórios.
Entre café acabado de preparar, pão de queijo e produtos tradicionais, operadores turísticos, jornalistas e agentes de viagens portugueses conheceram um destino que procura promover a sua narrativa internacional e que aposta em experiências de interior e em muita autenticidade para conquistar o público europeu.
“A proposta passa por mostrar Minas Gerais não apenas como território de cidades históricas e cozinha reconhecida, mas também como uma região vinícola emergente, com mais de 130 adegas distribuídas por nove regiões e experiências que cruzam paisagem, cultura e hospitalidade”, afirmou Patrícia Moreira, subsecretária de Turismo de Minas Gerais, durante o evento.
Ela explicou, ainda, que o enoturismo nasceu de um projeto recente do governo estadual para valorizar produtores locais e criar novas motivações de viagem. “O visitante encontra hoje experiências completas, desde provas comentadas e almoços harmonizados até alojamento em vinícolas e eventos ao pôr do sol, sempre marcados pela hospitalidade mineira”, destacou Moreira. A ambição, sublinhou, é proporcionar uma vivência autêntica, onde o vinho dialoga naturalmente com os queijos artesanais e a gastronomia contemporânea do estado.
O crescimento do setor acompanha uma tradição mais antiga do que muitos imaginam. A produção vínica em Minas Gerais tem raízes na influência europeia e ganha agora nova expressão com inovação tecnológica e a técnica da dupla poda, responsável por vinhos de inverno premiados internacionalmente.
Regiões como o Sul de Minas, a Serra da Canastra e as cidades históricas concentram experiências que combinam visitas aos vinhedos, degustações guiadas e contacto direto com produtores, criando roteiros que aproximam o viajante da identidade local.
A ligação com Portugal surge quase naturalmente. Durante a apresentação destacou-se como o encontro entre vinho e queijo, tão presente na cultura portuguesa, encontra eco nas harmonizações mineiras, sobretudo com o queijo artesanal da Canastra e outras produções regionais.
A herança arquitetónica comum, visível nas cidades barrocas como Ouro Preto e Tiradentes, reforça essa sensação de familiaridade para o visitante europeu.
Na ocasião, Marcelo Freixo, presidente da Embratur, enquadrou o momento positivo vivido pelo turismo brasileiro e defendeu que o país tem vindo a transformar a sua cultura e o modo de receber em elementos centrais da experiência turística.
“Mais do que visitar lugares, quem viaja procura sentir o destino, e é precisamente essa dimensão humana que torna Minas Gerais particularmente atrativa”, comentou Freixo.
A gastronomia teve papel central no pequeno-almoço, pensado como uma introdução sensorial ao estado. Camila Oliveira, diretora de Promoção Turística de Minas, explicou que levar sabores mineiros a Lisboa é uma forma direta de traduzir o acolhimento local.
A proximidade entre os mercados mineiro e português é também facilitada pela ligação aérea direta entre Lisboa e Belo Horizonte, operada há 18 anos pela TAP.
Representante da companhia presente ao evento, Carlos Antunes, diretor para as Américas, sublinhou que a rota transporta cerca de 180 mil passageiros por ano e representa uma oportunidade clara para aumentar o fluxo turístico, posicionando Minas Gerais como complemento ideal para itinerários brasileiros já conhecidos pelos portugueses.
O investimento internacional no destino foi igualmente ilustrado pela presença do grupo Vila Galé, que apresentou o seu hotel em Ouro Preto, instalado num edifício histórico recuperado e integrado nas rotas culturais da região.
“O projeto simboliza a convergência entre património, hospitalidade e novas experiências, incluindo iniciativas futuras ligadas ao vinho”, mencionou Pedro Ribeiro, diretor de Vendas e Marketing do Vila Galé.
A aposta em projetos que combinam história, gastronomia e novas vivências turísticas reflete precisamente o posicionamento que o destino pretende reforçar junto do público internacional. Minas Gerais quer ser descoberta devagar, à mesa e entre vinhedos.
“Somos um destino sem mar, mas rico em histórias, sabores e paisagens, onde o visitante pode percorrer igrejas barrocas, viajar em comboios históricos e, agora, brindar com vinhos de altitude que já conquistaram prémios internacionais”, pontuou Camila Oliveira.

