“ATERRIZAR”: Novo ciclo cultural em Campanhã propõe uma reaproximação à Terra através da arte e da ciência

O projeto multidisciplinar, que decorre até outubro nos lugares de São Pedro e Azevedo, arranca este domingo com a criação coletiva de um herbário do território, num programa gratuito que cruza botânica, cinema, espetáculos e oficinas.

A CRL – Central Elétrica lança este fim de semana o ciclo “ATERRIZAR”, um programa multidisciplinar que, entre março e outubro, vai explorar a relação entre a comunidade e a natureza nos territórios de São Pedro e Azevedo, no extremo oriental da freguesia de Campanhã, no Porto. Com o apoio do Fundo de Fomento Cultural, a iniciativa arranca no dia 22 de março com a primeira ação do “Herbário do Território”, um projeto participativo de observação, recolha e classificação da flora local.

O título do ciclo inspira-se no pensamento do filósofo Bruno Latour e na sua proposta de um novo verbo para os tempos atuais: “aterrizar”. Perante as alterações climáticas e o colapso ambiental, Latour defende que a humanidade perdeu o “chão” sob os pés, ignorando o que sustenta a sua existência. “Aterrizar” significa, assim, reencontrar o solo físico e o conjunto de relações que ligam os seres humanos a outros seres vivos, ecossistemas e matérias.

A programação do ciclo desenvolve-se em quatro eixos principais: Herbário do TerritórioFicções BotânicasCaminhos e Terra-a-Terra, propondo diferentes formas de conexão com a terra através de passeios, oficinas, residências artísticas, cinema, espetáculos e conversas.

Herbário do Território: um projeto coletivo e científico

A primeira grande ação, o Herbário do Território, ocupa os meses da primavera e convida a comunidade a participar na construção de um herbário local que documentará a biodiversidade de São Pedro e Azevedo. Mais do que uma coleção científica de espécies, a iniciativa afirma-se como um processo participativo de observação e interpretação do mundo vegetal, reconhecendo-o como lugar de memória, relação e aprendizagem.

Acompanhados pelos biólogos Fernanda Botelho e José Luís Araújo, os participantes explorarão as plantas que crescem no território, combinando o rigor da ciência com a dimensão artística através de uma oficina de ilustração e escrita criativa orientada por Ana Madureira.

O programa completo do herbário inclui:

  • 22 de março, 15h00: Passeio de observação e recolha de plantas.

  • 12 de abril, 17h00: Espetáculo “As árvores não têm pernas para andar”, de Joana Gama.

  • 12 de abril, 18h00: Oficina de legendagem científica.

  • 10 de maio, 15h00: Oficina de ilustração e legendagem criativa com Ana Madureira.

  • 12 de junho, 15h00: Lançamento do herbário e conversa final com Fernanda Botelho.

Cinema, conversas e reflexão

Paralelamente, o ciclo inclui sessões de cinema com curadoria de José António Cunha, programador do Cineclube do Porto. As sessões Terra a Terra, que acontecem a 22 de março e 12 de junho, propõem uma abordagem sensível e poética sobre a vida das plantas e as formas humanas de habitar e cuidar o território, com exibição de filmes seguida de conversa.

Todas as atividades do ciclo “ATERRIZAR” são de participação gratuita, mas sujeitas a inscrição obrigatória. Para o processo de criação do herbário, será dada prioridade aos participantes que garantam presença em todas as sessões. Mais informações e inscrições estão disponíveis em www.circolando.com.