Somos milhões e milhões de fotógrafos espalhados por este mundo fora e dentro desta multiplicidade de visões também somos únicos. Mas, no entanto, esta singularidade natural da diferença muito raramente se traduz em genialidade. O que vemos mais nas páginas dos períodicos, redes sociais, e espaços de exposições são fotografias do óbvio. Mesmo singular o olhar imita muitas vezes o que é “politicamente” belo. Ou seja, temos uma enxurrada de belas imagens, trabalhadas por fotógrafos competentes mas igual a muitos outros. Contudo, por vezes, nesta poluição visualmente bela aparece alguém que se destaca com algo novo, com algo autoral, com algo que traz vestígios de outros tempos, de heranças diversas. Este belo ensaio de Sónia Figueiredo, que responde pelo nome de Coleção Fotograma: Natureza – Dancing Ghosts – Liberdade, é prova viva daquilo que exponho aqui nestas linhas imperfeitas e contraditórias (pois todo artista tem em si a contradição). Hoje nesta exposição, em Lisboa, confirmo aquilo que acho que sei: nós fotógrafos, criadores, temos que a todo instante questionar o nosso imagético, interrogarmo-nos sobre as nossas opções, aprender a ver todos os dias. Só assim seremos diferentes da obviedade que impera… não ser diferente apenas por modismo, mas porque seremos nós nesta intrincada metamorfose constante. E a arte sem esta transformação, sem esta agonia interna é lugar comum. Sónia Figueiredo é esta mutação.


