As celebrações dos 40 anos de RUC, sob o lema “Que Lindo Serviço”,
chegam ao fim com um concerto marcado no Teatro Académico de
Gil Vicente. No dia 21 de março, KIK trazem o batismo de fogo a
Coimbra, pela primeira vez na cidade, a convite da aniversariante,
em defesa da divulgação irreverente da música nacional.
Depois do início das celebrações, no final do mês de fevereiro, a Rádio
Universidade de Coimbra apresenta o seu último momento programático. Jonathan
Uliel Saldanha e João Pais Filipe, dois nomes já conhecidos no espectro do
experimentalismo electrónico em Portugal, trazem a Coimbra o seu novo projeto, KIK.
21 de março, 21h30 – Teatro Académico de Gil Vicente
Jonathan é uma das personagens centrais em projetos como HHY & The
Kampala Unit e de HHY & The Macumbas, que junta também João Pais Filipe, músico
que já colaborou com Rafael Toral, Burnt Friedman ou Angélica Salvi. Ambos
mostram uma carreira intimidante, mas também querida aos entusiastas do
experimentalismo que se cria por Portugal.
Em apresentação está o álbum ‘Nightshift (2025)’, uma exploração de
percussão cibernética e design de som, que cruza a música eletrónica
contemporânea, com a experimentação industrial, e que existe no espaço liminar
entre a música corporal e a abstração – uma trilha sonora para armazéns fantasmas
e máquinas com defeito. Para os próprios, KIK não é apenas música, é um ambiente
sonoro imersivo, e uma vez que o diabo está nos detalhes e nas entrelinhas, é
precisamente aí que o público ouvinte se vai encontrar posicionado.
Descrito pela revista Metal Magazine, Nightshift está envolto em tensão, entre
se manter constante ou se tornar em outra coisa totalmente diferente – um ritmo
estável mas que está em perpétuo movimento e transformação. As influências da
música de club são inegáveis, mas são apresentadas com uma precisão disposta a
pensá-la mais à frente.
Haverão temas que frustram e reinterpretam a música de dança, como We
Can’t Dance e a sua estrutura rítmica incomum; ritmos mais convencionais como em
Smoke Machine; mas também momentos de imersão, no tema Back Room, e um
puro assalto polirrítmico em Tactical Gear. A conceptualização do disco de certa
forma repensa o formato musical de clubbing, principalmente na forma ativa de
escuta, e o concerto, em lugares sentados, pode permitir a um entendimento mais
cerebral ou analítico de Nightshift, ainda que este por momentos exiba traços que
peçam dança. O desafio de escuta atenta ao detalhe é assim lançado pela dupla ao
público de Coimbra.
O álbum na íntegra, lançado a 28 de novembro de 2025, sob o selo da
portuense Horror Vector, está disponível para escuta no bandcamp da editora. Para
fãs de Rian Treanor, Proc Fiskal, Jlin e Lorenzo Senni.

