Rosa Areias – A pintura imita o espaço

Os processos de criação da arte passam por uma experiência e uma vivência que amadurecem a produção da obra. Pelo percurso da vida, os que possuem a arte como essência, sabem que é inevitável expressar sua visão de mundo ou sua concepção do belo, através da arte. Quando falamos de artistas de alma, podemos colocar, sem a mínima dúvida, o nome de Rosa Areias , nascida no Porto, possui um trabalho que vem sendo consolidado em um percurso dentro do universo das artes e que construiu um trabalho consistente e autêntico.

Foi no norte, onde nasceu, estudou e viveu parte de sua vida, que Rosa Areias se apaixonou pelo universo das artes. Após um período em Maputo, capital de Moçambique, a artista regressou à Lisboa, onde graduo em Sociologia, nos conturbados anos 60 e 70 – período onde as guerras coloniais influenciaram o modo de viver em Portugal e o mundo vivia uma série de mudanças culturais e sociais. Na altura, “Os espetáculos da Fundação Gulbenkian eram um oásis cultural, mas o Coliseu ainda fechava perante um espetáculo de Maurice Béjart”, relembra a artista.

Em 80/90, Rosa Areis, passa a dedicar-se mais ao Desenho e Pintura, ingressando em aulas em aulas de Pintura matéria no Atelier da Prof.Isa Duarte Ribeiro em Cascais. Quase em simultâneo aprende gravura na Oficina de Gravura do Prof. Paiva Raposo. Na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa concluiu a sua aprendizagem, com a frequência em Historia de Arte, disciplinas de Estética, cursos de Desenho e Pintura, este último sob a coordenação do Prof. Pintor Jaime Silva.

Em 1998 passou a expor em mostras coletivas e individuais. Sempre a apresentar um trabalho conceptual de qualidade, a artista formatou apelativas obras contemporâneas. Rosa Areias para definir metodologicamente uma das suas séries, cool… weith… frágil…, cita Foucault, que aborda o conceito de similitude e como este conceito organiza as nossas representações com as quais interpretamos o mundo à nossa volta. Assim no pensamento mágico/religioso…”: A terra repetindo o céu, os rostos mirando-se nas estrelas e a erva envolvendo nas suas hastes os segredos úteis ao homem.” “A pintura imitava o espaço”.

Os trabalhos apresentados por Rosa Areias, estão sedimentados em suas experiências e vivências mostrando uma arte conceptual bem concebida e realizada, dando-se como um texto a nossa observação num mix que transita entre do impactante ao belo.A artista destaca a “transcendência de imagens votivas, fechadas em caixas transparentes, que num salto de fé sacraliza e eterniza”, ao referir-se a algumas de suas obras. Sem dúvida, a contemporaneidade dos trabalhos de Rosa Areias a transfere ao posto de artista pujante, criativa e contestadora. Sua obra surge como uma poesia visual remetida à elementos capturados da vida do cotidiano e une-se a uma narrativa artística e conceitual.

Em seu longa caminho, Rosa Areias mostra que ainda possui muito a criar e a nos surpreender com sua arte. Seu trabalho, por sua vez, cria um diálogo ativo com sua relação e o mundo circundante. Sempre atual, Rosa Areias faz parte de uma vanguarda da arte contemporânea portuguesa. Sua arte é um debate cativante que expressa-se através de materiais, espaço e estrutura que compõem suas obras. Seus últimos trabalhos trazem um conceito que definem uma pintura de “forma física”, trabalhando signos a criar uma ligação simbólica com a pintura.

“Fragmentos de um corpo, encerrados em caixas de acrílico transparente, mostram à semelhança de registos religiosos um acontecimento que neles se inscreveu e se não esqueceu – ou as imagens votivas que se oferecem em cumprimento de uma promessa que a intencionalidade do nosso olhar sacraliza. Transgrediu-se os cânones estéticos do bonito, liso, harmonioso para expressar novos conteúdos. Estamos perante superfícies tácteis e rugosas de cromatismo terrosos, sulcados por imagens antropomórficas e desfiguradas.” resume a artista ao explicar sua série atual.

Rosa Areias é uma artista que vale conhecer mais, visitar suas exposições e adquirir suas obras, seja por sua relevância artística, pelos conceitos e métodos aplicados em sua produção, seja por simplesmente ser arte de qualidade.

Atualmente pode-se ver um pouco do seu trabalho, em exposição na R.Rodyner Gallery, situada no Palacete da Casa da Guia, em Cascais (PT).

Principais exposições com a participação da artista:

– Colectiva de António Arroio

– Arte Urbana p/ intervenção, integrada no grupo ZART21.

– Xl Bienal de Cerveira

– 2a Bienal Ambien-te 2002

– Galeria Lucília Cruz- Bairro Alto

– Colóquios sobre Arte e Terapia – A Criação como Antídoto da exclusão …

– Convento dos Cardaes

– Fragility – research

– Sociedade Nacional de Belas Artes

– Expõe anualmente no Salão de Sócios da Sociedade Nacional de Belas Artes

Projectos

– Espírito da Matéria

– Polimorfismos

–  Secret – Garden