O Rembrandt de 14.000.000 libras

Leilão intitulado “Rembrandt to Richter” da casa de leilão Sotheby’s demonstra que o mercado das artes continua em alta, mesmo com a pandemia.

A obra de arte como investimento é uma realidade indiscutível. Mesmo em crises financeiras, o comércio de obras de arte mantem-se como um investimento interessante. Isso ficou aparente no dia 28 de julho de 2020, quando fora arrematado um auto-retrato do artista holandês Rembrandt. O leilão da obra tinha como valor inicial a bagatela de 12.000.000 com a expectativa de chegar a 16.000.000 de libras esterlinas. É verdade que o leilão não alcançou o valor máximo esperado, mas o quadro, assinado por Rembrandt e datado de 1632, alcançou o animador valor de 14.549.400 libras.

O título do Leilão faz referência aos artistas Rembrandt e Gerhard Richter. Dois destaques, entre outros tantos, que estiveram presente neste lote leiloado pela Sotheby’s. Temos Picasso, Chagall, Kandinsky, Munch, entre outros grandes da pintura. Mas apesar de não ter sido a obra com o maior valor arrematado, a pintura do pintor espanhol Miró arrecadou o valor de mais de 22.000.000, a obra de Rembrandt é sem dúvida a com maior relevância e este artigo a tem como destaque.

Vídeo (Inglês) – Visita guiada pelos lotes do leilão “Rembrandt to Richter” da casa de leilão Sotheby’s.

Rembrandt Harmenszoon van Rijn é um dos mais aclamados mestres da pintura. Natural de Leiden (Leida), na Holanda, o pintor nasceu em 15 de julho de 1606 e veio falecer em Amsterdam, no dia 4 de outubro de 1669. Considerado, um dos maiores pintores de todos os tempos, é um dos ícones do chamado “Século de Ouro dos Países Baixos”.

Pintor e gravador popular em sua época, fez sucesso logo cedo, tornando-se um dos mais conhecidos pintores holandeses na altura. Apesar do sucesso, tragédias pessoais levaram a viver dificuldades financeiras em seus últimos anos de vida. Os autorretratos de Rembrandt, criados em diferentes momentos de sua vida, constituem uma série biográfica da história do artista.

A obra, que mede 21,8 por 16,3 cm, vê-se Rembrandt vestindo uma túnica e um chapéu preto. Foi produzida a óleo em painel de carvalho, o auto-retrato de Rembrandt teve sua linha de tempo bem registrada, o que auxilia na autenticidade da obra.

Quadro de Rembrandt datado de 1
Quadro de Rembrandt datado de 1632, que alcançou o valor de 14.549.400 libras no leilão da Sotheby’s em julho de 2020.
Parte de trás do quadro

A história comercial da obra tem início em 1891, na cidade de Paris, quando é vendida ao 2º Visconde de Hampden, o senhor Henry Robert Brand. Como se vê registrado no verso da obra. A obra foi posteriormente deixada como herança para Leila Emily, Viscondessa Hampden, esposa de Thomas Henry, 4º Visconde Hampden ( falecido em 1965).

A Viscondessa Hampden negociou a obra pela Sotheby’s em 8 de abril de 1970, para a galeria francesa J.O. Leegenhoek. Em março de 1996 a obra foi vendida para um colecionador particular que por fim a comercializou a pintura com a Noortman Master Paintings. Em 2005 a obra foi integrada a coleção que foi leiloada este ano de 2020 pela Sotheby’s.

Pela relevância da obra, artista, história e preço comercializado, temos a confirmação que o mercado das artes, apesar de abalado por conta da Covid-19, permanece ativo e com boas possibilidades de negócios e franco crescimento.

Fonte: www.sothebys.com

Coluna – Marco Monteiro 

Marco Monteiro, brasileiro, Natal, RN, Brasil, 1975. Artista, designer, arqueólogo, escritor e pesquisador, autor do livro didático “Artes Visuais – 2º Período” (História da Arte – Editora Geração Digital – Brasil – 2013) co-editor do “Arte351 Magazine” e Doutorando em Teoria e História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa. www.mmonteiro.com