A então jovem atriz brasileira na Itália, Vanja Orico

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A então jovem estrela aos dezenove anos, era filha de diplomata, o imortal escritor Oswaldo Orico e estudava Música num colégio em Roma quando lhe perguntaram se sabia cantar. Desse modo Vanja Orico surge para o cinema. Aparecia em 1950 no filme “Luci del Varietá”, uma direção conjunta de Lattuada-Fellini (ou seja, Alberto Lattuada e e Federico Fellini) na pele de uma “cigana brasileira” com direito a seu nome nos créditos, cantando “Meu limão, meu limoeiro” nas escadarias de uma rua em Roma, com texto e contracenando com Peppino de Felippo.

O filme recebeu no Brasil o título de “Mulheres e Luzes” e trazia no elenco Carla del Poggio, Folco Lulli e Giuletta Masina em papel de destaque mas secundário. A nota interessante era a participação de um ator negro, John Kutzmiller, pré-Sidney Poitier e Harry Belafonte.

Retornando ao Brasil, a carioca Vanja Orico ganha importância a partir do sucesso planetário de “O Cangaceiro”, filme de 1953 dirigido por Lima Barreto. Nesse ponto Vanja inicia sua carreira de atriz e cantora internacional com repertório folclórico brasileiro. Nos anos 1970 apresentou-se em Porto Alegre no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Vanja tinha parentes gaúchos, tios e primos. Um deles – João Alberto – do qual eu era muito amigo decidiu vender tudo o que tinha em antiguidades, me solicitou e o aproximei de um marchand carioca, Fernando Andrade. Seus objetos foram apregoados em vultuoso leilão no Goolden Room do Copacabana Palace. Na noite do pregão, excessivamente nervoso, ele pede a mim e a Vanja para sermos seus apontadores para que anotássemos os lances. Vanja e eu, munidos de catálogos e canetas nos sentamos ao fim do salão. Ela, fazendo o gênero Maria Bonita chic, usava de cada lado – atravessada no peito – duas bolsas, ambas Chanel.

É famosa uma foto de Vanja Orico nos anos 1960 durante a Ditadura Militar brasileira na manifestação dos estudantes que resultou na morte de Edson Luis postando-se de joelhos à frente de um tanque de guerra que avançava sobre os manifestantes e grita espalmando as mãos no ar:
” – Não atirem!!! Somos todos brasileiros!!! “. Emocionante relembrar Vanja Orico, uma atriz brasileira – aliás, a única – que um dia, jovem, foi dirigida por Federico Fellini.

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Foto: Gervásio Batista – Arquivo Público de São Paulo.