Morre aos 83 anos o escultor dos mármores João Cutileiro

parque das nações escultura

João Cutileiro tinha 60 anos de carreira e deixa diversas obras de arte icónicas espalhadas em Portugal.

Nascido em Lisboa no ano de 1937, João Cutileiro viveu com a família numa casa situada na Avenida Elias Garcia, conhecida na altura por ser frequentada por um grupo de pessoas envolvidas em trabalho intelectual para o desenvolvimento e disseminação cultural. Um dos participantes, António Pedro, convidou-o para desenhar em seu Atelier, em 1946.

Durante este tempo até o ano de 1948, trabalhou e foi fortemente influenciado pelo Surrealismo. Entre 1949 e 1951, frequentou o estúdio de Jorge Barradas, onde criou obras de modelismo e de pintura, assim como vidrados de cerâmica. Depois, veio a mudar-se para o Atelier de António Duarte, onde deu-se o seu contacto com a pedra, sendo assistente voluntário de canteiro por dois anos. Aos 14 anos de idade, João Cutileiro já apresentava suas esculturas, pinturas, aguarelas e cerâmicas em sua primeira exposição individual, situada em Reguengos de Monsaraz.

Com diversas obras distribuídas pelo país e cerca de 60 anos de carreira no mundo das artes, João Cutileiro ficou mais conhecido junto ao público com algumas obras muito polémicas. No topo do Parque Eduardo VII, uma das obras conhecida como Monumento ao 25 de abril, foi instalada com blocos que formam uma escultura fálica, que simboliza a força viril e o vigor da Revolução.

escultura de João cutileiro fálica
Fonte: Câmara Municipal de Lisboa

Desde 1985, João Cutileiro morava e trabalhava em Évora, tendo assinado em 2018 um protocolo de doação do espólio e casa-atelier do artista com o Ministério da Cultura, a Universidade e o Município de Évora.

João Cutileiro era conhecido no Alentejo como o “escultor dos mármores”. Entretanto, era em Lisboa que estava internado no Hospital Pulido Valente. Devido a complicações derivadas de um enfisema pulmonar, o artista não resistiu e veio a falecer.