Poema BIGO: Poema XXII da Quarentena

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POEMA XXII DA QUARENTENA

Quantas léguas de mares navegados
Faltam ainda para a praia branca,
Onde nos esperam inocentes almas
A quem levamos a Cruz, a Peste e a ganancia
Pelo ouro escondido nessas matas,
E preciosas pedras deste Fado
Que é ver as velas pandas pelo vento
Dar ao acaso em  terras generosas ?
Diz, Vasco, se valerá a pena
Com que descreves dadivosa aventura.
À estibordo da nau a marujada morre
Quantos homens ao mar ainda valerão a travessia ,
E se a ilha não passar de um delírio?
De terras prometidas, Eldorados, e ajardinados castelos de utopias,
Reinos de homens bons, e fértil Lida
Que nenhuma tempestade se avizinhe !
A que caminho pretendes, Vasco, ires
Até chegares às especiarias ?
Já não bastasse aquilo que já sabes
Todo repasto posto à tua mesa
Há vilania nos trunfos dos piratas
E bandeiras da Morte desfraldadas.
Quanta Beleza há nesses mares
E afundadas naus espreitam polvos
Fritos no azeite ao alho já não bastam ?
Neles não cabe noz moscada
Deixa-a aos mouros e devolve
aos habitantes primitivos o tal mistério
De que tudo o que se nela planta, dá.
Desmatarás quantos caminhos
Para levar ao Rei o mimo das conquistas ?
E enforcarás todos os homens
Que se por acaso opuserem-se ao seu plano
Espalharás o ódio qual sementes
A temperar os banquetes poderosos.
Era isto o que tua bússola apontava ?
Deixa às baleias os destinos dos mares!
Luiz Carlos Lacerda
Janeiro de 2021