Castelo de São Jorge oferece Conferência gratuita Gonçalo Ribeiro Telles

Gonçalo Ribeiro Telles, Alfama e o seu Castelo – Conferência

Para assinalar o Dia Internacional dos Museus, nesta terça (18) de maio, pelas 17 horas, o Castelo de São Jorge oferece aos visitantes uma Conferência de João Gomes da Silva, Arquiteto Paisagista sobre Gonçalo Ribeiro Telles, Alfama e o seu Castelo. A Entrada é livre, sujeita à lotação da sala, com levantamento do bilhete no próprio dia.

A Obra de Arquitetura Paisagista produzida por Gonçalo Ribeiro Telles é muito extensa, diversa e criada ao longo de cinco décadas (entre 1948 e 2002).

Extensa, porque corresponde a uma atividade criativa, projetual e de produção de espaço, em que se contam mais de 600 estudos, projeto e planos, com diferentes graus de concretização, certamente.

Diversa, por que se refere a práticas criativas que incluem projetos de pequena e grande escala; de caracter privado, institucional ou publico; trabalhos de planeamento e ordenamento territorial.

Prolongada no tempo, porque desenvolvida ao longo de cinco décadas de intensa atividade profissional, mas também intensa participação política e cívica, e trabalho académico fundamental.

Num plano estritamente criativo, embora não seja possível separar a criação, de todas as outras dimensões da sua vida intensa, como se poderá contemplar, entender e melhor conhecer, o trabalho que nos deixou sobre a Cidade que tanto amou – Lisboa?

Dentro da sua extensa criação, no domínio do projeto de espaços de paisagem, como podemos interpretar a sua visão relativamente à conservação, reabilitação ou transformação dos espaços de valor patrimonial, e qual o seu pensamento sobre tão importante aspeto da nossa cultura e memória coletiva?

Sobre Alfama e o seu Castelo, Monumentos Nacionais e sentimentais, mas sobretudo espaços inseparáveis da Identificação de Lisboa, enquanto forma de Paisagem, como interviu, colaborou e contribuiu para a sua construção no nosso imaginário, e para a nossa experiência deste lugar central da Cidade?

Serão discutidas estas e outras questões, que se levantam naturalmente sobre Ribeiro Telles, Alfama e o seu Castelo de São Jorge, e como podemos abrir uma perspetiva de conhecimento, sobre o seu envolvimento na recriação destes espaços, olhando em paralelo para o modo como no seu tempo, estas questões foram também pensadas pelos seu pares, noutros
contextos e geografias.

 

Sobre João Gomes da Silva

João Gomes da Silva é Arquiteto-paisagista (UE 19855). Foi Assistente de Gonçalo Ribeiro Telles na Universidade de Évora, e é Professor Convidado no Departamento de Arquitectura da U.A.L., e na Accademia de Architettura de Mendrisio. É autor e co-autor de diversas Obras em ambiente Patrimonial, como o sítio Arqueológico da Alcáçova do Castelo de S. Jorge; a Ribeira
das Naus; o sítio Arqueológico das Termas Romanas de S. Pedro do Sul, ou a reabilitação do Castelo de Ourém e Paço do Conde.

 

Sobre Castelo de São Jorge

O Castelo de S. Jorge – Monumento Nacional integra a zona nobre da antiga cidadela medieval (alcáçova), constituída pelo castelo, os vestígios do antigo paço real e parte de uma área residencial para elites.

A fortificação, construída pelos muçulmanos em meados do século XI, era o último reduto de defesa para as elites que viviam na cidadela: o alcaide mouro, cujo palácio ficava nas proximidades, e as elites da administração da cidade, cujas casas são ainda hoje visíveis no Sítio Arqueológico.

Após a conquista de Lisboa, em 25 de Outubro de 1147, por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, até ao início do século XVI, o Castelo de S. Jorge conheceu o seu período áureo enquanto espaço cortesão. Os antigos edifícios de época islâmica foram adaptados e ampliados para acolher o Rei, a Corte, o Bispo e instalar o arquivo real numa das torres do castelo. Transformado em paço real pelos reis de Portugal no século XIII, o Castelo de S. Jorge foi o local escolhido para se receberem personagens ilustres nacionais e estrangeiras, para se realizarem festas e aclamarem-se Reis ao longo dos séculos XIV, XV e XVI.

Com a integração de Portugal na Coroa de Espanha, em 1580, o Castelo de S. Jorge adquire um caráter funcional mais militar, que se manterá até ao início do século XX. Os espaços são reconvertidos, outros novos surgem. Mas, é sobretudo após o terramoto de Lisboa de 1755 que se dita uma renovação mais substantiva com o aparecimento de muitas construções novas que vão escondendo as ruínas mais antigas. No século XIX, toda a área do monumento nacional está ocupada por quartéis.

Com as grandes obras de restauro de 1938-40, redescobre-se o castelo e os vestígios do antigo paço real. No meio das demolições então levadas a cabo, as antigas construções são resgatadas. O castelo readquire a sua imponência de outrora e é devolvido ao usufruto dos cidadãos.

Já no final do século XX, as investigações arqueológicas promovidas em várias zonas contribuíram, de forma singular, para constatar a antiguidade da ocupação no topo da colina e confirmar o inestimável valor histórico que fundamentou a classificação do Castelo de S. Jorge como Monumento Nacional, por Decreto Régio de 1910.