Maria do Mar volta aos ecrãs em versão restaurada 91 anos depois

A versão restaurada pela Cinemateca Portuguesa é exibida em filme-concerto que integra a paisagem marítima e a vida dos pescadores da Nazaré numa ficção com a Orquestra Sinfonietta de Lisboa.

A Cinemateca Portuguesa e o São Luiz Teatro Municipal apresentam, no próximo dia 12 de junho, às 20h, no São Luiz Teatro Municipal, a versão restaurada do filme MARIA DO MAR, de Leitão de Barros, estreado nessa sala a 20 de maio de 1930.

Esta sessão conta com a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, conduzida pelo maestro Vasco Pearce de Azevedo, que interpreta a partitura original composta por Bernardo Sassetti e encomendada pela Cinemateca Portuguesa em 2000. “A minha principal preocupação foi sempre o respeito pela realização de Leitão de Barros, na criação de temas musicais que pudessem acompanhar o fluxo das imagens, algumas delas de uma beleza, expressão e sensibilidade como nunca antes vi em cinema.” revela Sassetti.

A apresentação de MARIA DO MAR marca o arranque do projeto FILMar, operacionalizado pela Cinemateca, no âmbito do programa EEAGRants 2020-2024, para a digitalização do cinema português relacionado com o mar, integrando ainda o programa A Season of Classic Films, da Association des Cinemathèques Europeénnes.

 

Leitão de Barros

José Júlio Marques Leitão de Barros nasceu no Porto em 1896, mas durante o liceu foi para Lisboa. Frequentou a Escola Superior de Belas-Artes, no curso de arquitetura e trabalhou como professor de liceu. Publicou “Elementos de História da Arte”, entretanto só a partir de 1916, começou actuar como jornalista até a morte. Após realizar alguns filmes, em 1929, o filme NAZARÉ, PRAIA DE PESCADORES revelou o seu talento de cineasta, que aprofundaria em viagens pelos estúdios europeus, absorvendo lições das escolas francesa, alemã e soviética. Essa nova visão reflete-se nos soberbos LISBOA, CRÓNICA ANEDÓTICA e MARIA DO MAR (1930).

MARIA DO MAR – Filme concerto

Dia 12 de junho, no São Luiz Teatro Municipal

MARIA DO MAR é um notável trabalho de integração da paisagem marítima e a vida dos pescadores da Nazaré numa ficção construída à volta do ódio entre duas famílias por causa da morte de um pescador, provocada acidentalmente por outro.

Serão os filhos que, com o seu amor, irão reconciliar as famílias. Um belíssimo filme, com imagens surpreendentes, e um trabalho de montagem marcante no cinema português (influenciado, nomeadamente, pela vanguarda soviética da época e as lições de Eisenstein).

Este DCP apresenta a versão restaurada pela Cinemateca Portuguesa em 2000 e teve origem na digitalização 4K do negativo de câmara original do filme. Alguns planos degradados ou inexistentes no negativo, assim como todos os intertítulos, foram digitalizados a partir do interpositivo produzido no restauro de 2000.

O restauro digital de imagem e a correção de cor foram feitas pela Cineric Portugal. Este DCP foi finalizado pela Irmã Lúcia Efeitos Especiais. Em 1999, por ocasião do restauro do filme Maria do Mar de Leitão de Barros, a Cinemateca Portuguesa encomendou a Bernardo Sassetti uma partitura com música original, orquestrada por Vasco Pearce de Azevedo, Bernardo Sassetti e Luís Tinoco.

Em 2010, Bernardo Sassetti (piano), Filipa Pais (voz) e a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, interpretaram a seguinte gravação sob a direção do Maestro Vasco Pearce de Azevedo, com produção musical de José Pedro Gil, que foi sincronizada com a banda de imagem em 2021.