Exposição inaugura e aborda “Quando é o retrato um retrato?”

A exposição “Retrato Essencial – Quando é o Retrato um Retrato?”, da autoria da
artista plástica Lia Ferreira, está a suscitar o interesse dos visitantes do Casino Lisboa.
A figura humana é o grande foco desta mostra individual de pintura que reúne 81
quadros, desenhos e ilustrações da artista. Com entrada gratuita, até 31 de Julho, na
Galeria de Arte.

“O trabalho que tenho desenvolvido como pintora passa, quase sempre, pela
representação da figura humana. Esta constatação resulta de uma preferência,
inclinação natural, que eu não contrario e que se vem desenvolvendo desde a infância,
tendo tido uma aproximação mais orientada no tempo da Faculdade e muito livre
desde então”, explica Lia Ferreira.

“Muito mais do que a paisagem ou os objectos, o que me interessa são as pessoas e a
sua expressão (aquela que encerram em si, nos seus corpos, movimentos, rostos). E
então aí, a partir desses corpos, a sua relação com o espaço, a luz, os objectos, os
animais. Assim como na infância desenhamos a mãe, o pai, os irmãos, os amigos, e a
nós próprios, eu retomei, depois de um interregno de anos, o desenho e a pintura
através do retrato daqueles que me são queridos. Não reclamo razões mais eruditas ou
esforçadas do que o afecto. Daqui aos afectos dos outros foi um passo rápido e passei
a fazer, com regularidade, retratos encomendados”, revela a artista plástica.

E prossegue: “Ora, normalmente, quando as pessoas me pedem para retratar alguém
de quem gostam, ou a si próprias, procuram um reconhecimento imediato do retratado
e estimam que as suas melhores características físicas sejam reforçadas, num
resultado aprazível e simpático. Esta preocupação pode por vezes pesar na fruição do
momento criativo e, contrariando a monotonia, levam-me sistematicamente à criação
antitética. Desses movimentos de resistência, trago-vos pequenas séries escapatórias
“Female Gaze”, “Me, Ugly” e “Ugly Drawings) que encerram geralmente um
propósito de contrariar o perfeito, o belo, o precioso, e, naquilo que constitui a
novidade no meu percurso (e apenas aí), o mais recente caminho que tenho feito na
busca do retrato essencial, o retrato mínimo (mas não minimalista) ou o limite do
retrato”.

Lia Ferreira convida os visitantes do Casino Lisboa a fazer um caminho que está
longe de estar concluído: Quando é o retrato um retrato? Quando deixa de o ser? Que
grau de abstração aguenta? Até onde se pode ir, de forma, a que o sujeito seja
reconhecido, ou se reconheça, e quando é que o observador passa a projectar qualquer
outra coisa? Em última instância, será esse o ponto ideal? Aquele em que cada um se
reconhece e, quase simultaneamente, cada um possa inventar outros sujeitos? A
relação entre o signo, o significante e o significado. Neste percurso, experimento
diversos materiais, abordagens; faço variações sobre temas conhecidos ou
anteriormente trabalhados, e pergunto-vos também: de qual é que gostam mais?

A Galeria de Arte do Casino Lisboa acolhe, até 31 de Julho, a exposição “Retrato
Essencial – Quando é o Retrato um Retrato?”. A entrada é gratuita.