O cinema experimental de Ernie Gehr, na presença do realizador

Ernie Gehr, um dos grandes autores do cinema de avant-garde norte-americano estará na Cinemateca entre 24 e 31 de maio para apresentar um conjunto de filmes que realizou entre o final dos anos 1960 e o presente. Um dos mais completos programas dedicados à sua obra fora dos Estados Unidos, que envolve 31 filmes organizados em sete sessões e que inclui ainda uma conversa com o cineasta/artista em que se discutirá mais aprofundadamente a sua obra (dia 28, às 19h).

Da mesma geração que Michael Snow e muito influenciado por uma sessão de filmes de Stan Brakhage, a que assistiu em 1966 e que esteve na origem da sua vontade de fazer cinema, Gehr começa a filmar de seguida, apresentando uma obra extremamente singular. A importância da luz, das texturas, a relação entre a imagem fixa e o movimento, a exploração da dilatação da duração em filmes em grande parte mudos, em que se valoriza o que é próprio do filme em detrimento da representação, são algumas das características de um cinema que, refletindo sobre a materialidade e os primórdios desta arte, muito tem retratado a arquitetura e o quotidiano das paisagens urbanas e as suas transformações.

O programa divide-se em duas partes, uma primeira consagrada ao trabalho Gehr em película, que inclui títulos famosos como Serene Velocity, Eureka ou Side/Walk/Shuttle, e uma segunda parte votada às obras em digital, que revelam a exploração de um novo conjunto de questões e procedimentos, mas que prolongam os propósitos do trabalho anterior. Com uma única exceção, todos os filmes realizados em película serão apresentados em cópias recém restauradas pelo MoMA – Museum of Modern Art, ampliadas para 35mm. Vários dos filmes mais recentes são estreias mundiais.