RESTOS DO VENTO, de Tiago Guedes, em destaque no ranking do Festival de Cannes

«Ao mesmo tempo que encerra um drama onde ressalta muito do que nós somos, enquanto portugueses, “Restos do Vento” vive de uma condução sólida e segura da narrativa pelo realizador, da assombrosa fotografia de Mark Bliss e do notável trabalho de alguma da elite dos atores e atrizes portugueses, oferecendo-nos um filme que merecia seguramente uma entrada na competição e que já tem encontro marcado com o público nacional para o próximo dia 22 de setembro.» João Antunes, Jornal de Notícias

«Um dos muitos pequenos grandes milagres do trabalho de Guedes é conseguir ser filme de atores e ao mesmo tempo recital de câmara sobretudo porque é no trabalho de grupo dos atores que reside aquilo que de mais fulminante passa por aqui mas também porque cada plano-sequência encerra um prazer e um desejo de cinema puro (…)» Rui Tendinha, Diário de Notícias

«O realizador Tiago Guedes leva-nos a uma aldeia remota em Portugal onde um bárbaro ritual pagão realizado há um quarto de século ainda mantém um forte domínio sobre um grupo de adultos que revisitam memórias reprimidas na sequência de uma nova tragédia. Uma sensação palpável de flagelo paira sobre as acções (…)

O cenário rural de Restos do Vento é exuberantemente fotografado por Mark Bliss, com turbinas eólicas ao longe a única indicação de modernidade. Mas o que pode parecer atemporal também pode ser percebido como arcaico, e Guedes (A Herdade) é crítico de uma comunidade presa a velhas formas de pensar. Esta é uma sociedade patriarcal com poucas oportunidades económicas, e uma vez que o corpo de Pedro é descoberto, o filme deriva para um terreno tonal mais escuro, os personagens aparentemente envoltos em sombras que reflectem a tensão não resolvida de sua infância compartilhada.» Tim Grierson, Screen International