Braga ganha novo museu dedicado ao pensamento e à arte contemporânea: MUZEU inaugura em abril com programação que celebra os 50 anos do 25 de Abril

Instalado no antigo Tribunal Judicial, no centro histórico da cidade, o MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst abre portas a 23 de abril com a exposição “Sejamos realistas, exijamos o impossível”, que reúne mais de 100 obras da coleção do dstgroup, uma das mais significativas coleções privadas de arte contemporânea em Portugal.

A cidade de Braga ganha, a partir do próximo mês, um novo equipamento cultural de referência. O MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst, fundado pelo dstgroup, inaugura oficialmente a 23 de abril de 2026, ocupando o edifício do antigo Tribunal Judicial, no centro histórico, após um projeto de reabilitação assinado pelo arquiteto José Carvalho Araújo.

O novo museu tem como missão estudar e valorizar a Coleção de Arte Contemporânea do dstgroup, constituída ao longo das últimas quatro décadas pelo presidente do grupo, José Teixeira. Com mais de 1.500 obras de 240 artistas nacionais e internacionais, a coleção afirma-se como uma das mais significativas em mãos privadas em Portugal, incluindo nomes como Pablo Picasso, Anselm Kiefer, Nan Goldin, Paula Rego, Helena Almeida, Pedro Cabrita Reis, Julião Sarmento, Richard Long, Candida Höfer e André Butzer, entre muitos outros.

O MUZEU pretende funcionar como um fórum aberto para a filosofia e para a arte, com um programa que reúne uma ampla variedade de intervenientes através de exposições, palestras, performances e música, reforçando o papel do museu como espaço de intervenção e promoção cívica e política. Além disso, o museu será um local de reflexão e inspiração para os 3000 funcionários do dstgroup, oferecendo formação em áreas como museologia, conservação e gestão de coleções.

“Abrir Abril”: ciclo inaugural assinala revolução e transformação

O MUZEU será inaugurado com o programa “Abrir Abril”, o primeiro ciclo de programação, que decorrerá de 23 de abril a 31 de outubro de 2026. O programa assinala o aniversário da Revolução dos Cravos e reflete sobre a revolução como um momento de rutura e transformação coletiva, revisitando valores como democracia, liberdade, participação cívica e defesa intransigente dos direitos humanos.

No centro do programa de abertura estará a exposição inaugural “Sejamos realistas, exijamos o impossível”, patente de 23 de abril de 2026 a 23 de outubro de 2027. O título da exposição faz referência ao slogan associado ao filósofo Herbert Marcuse e aos protestos estudantis de 1968, em Paris, sintetizando a rejeição da ideia de que os sistemas existentes representam a única realidade possível.

Ao longo de quatro pisos expositivos, com aproximadamente 3.000 m², a mostra apresenta mais de 100 obras de 96 artistas, 40 portugueses e 56 internacionais. Com curadoria de Helena Mendes Pereira, diretora, curadora e programadora artística do MUZEU, a exposição articula uma visão ancorada na capacidade de transformação social, política e poética da arte contemporânea. Entre os artistas presentes contam-se Alex Katz, Ana Vidigal, Ângela Ferreira, Annie Leibovitz, Délio Jasse, Eduardo Batarda, Fernão Cruz, Francesco Clemente, Franz West, Isabel Muñoz, João Penalva, José Pedro Croft, Julian Opie, Nan Goldin, Pedro Calapez, Rui Sanches, Susy Gómez, entre outros, com particular destaque para obras de Miguel Rio Branco e Rui Chafes.

O MUZEU acolherá ainda um espaço permanente dedicado às obras do artista alemão Anselm Kiefer, uma das figuras mais importantes da arte contemporânea e presença fundamental na coleção de José Teixeira.

Edifício histórico reabilitado por Carvalho Araújo

O MUZEU encontra-se instalado no antigo Tribunal Judicial de Braga, no centro histórico da cidade. Projetado pelo arquiteto bracarense José Carvalho Araújo, com longa ligação ao dstgroup, o edifício foi transformado num museu de cinco andares, composto por quatro pisos de exposição e um auditório.

O projeto integra elementos arqueológicos com ligações ao perfil industrial do dstgroup, que coabitam com elementos históricos de Braga, nomeadamente a mais antiga secção da muralha da cidade, que começou a ser construída no século XIV, e um poço do mesmo período. De frente para a Praça do Município, a fachada apresenta uma intervenção escultórica permanente do artista português José Pedro Croft, estabelecendo uma forte ligação conceptual entre o edifício, a coleção de arte contemporânea e a cidade.

Programação de abertura com dança, música e performance

A entrada no MUZEU será gratuita para o público durante toda a semana de inauguração, de 25 a 30 de abril de 2026. No dia 24 de abril, o museu abre com acesso exclusivo para os funcionários do dstgroup, com uma intervenção de rua em grande escala intitulada “A Poesia está na Rua”, desenvolvida em colaboração com a Oficina Arara e o performer Doutor Urânio.

O dia 25 de abril marca a abertura ao público, com a revelação da obra site-specific de José Pedro Croft na fachada do museu, seguida de uma visita guiada coreografada à exposição, desenvolvida em colaboração com a Companhia Nacional de Bailado. O dia termina com a estreia de “O Círculo das Contas de Filigrana Dourada: Ligações Históricas entre a Bahia e Viana do Castelo”, uma performance de Rita GT criada em colaboração com os conjuntos vocais Cantadeiras Ohùn Obìnrin e Cantadeiras do Vale do Neiva.

Paralelamente, o MUZEU apresenta uma programação contínua de conferências, performances, concertos de jazz, sessões de escuta, oficinas de filosofia para crianças e visitas guiadas durante a semana inaugural. Estudantes, professores, artistas, profissionais da cultura e colaboradores do dstgroup terão acesso gratuito todos os dias, destacando-se ainda a iniciativa “Vêm à Quinta-feira”, com horário alargado e entrada gratuita durante todo o dia para o público em geral.