Filmes inéditos de Wong Kar Wai estreiam cópias digitais restauradas 4K

Os dois primeiros filmes do realizador de Hong Kong estreiam nas salas do Cinema Medeia Nimas e Teatro Campo Alegre, a 27 de Maio.

AS TEARS GO BY – AO SABOR DA AMBIÇÃO e DAYS OF BEING WILD – DIAS SELVAGENS são os dois filmes inéditos comercialmente em Portugal, do consagrado Wong Kar Wai, um dos autores determinantes do cinema contemporâneo, pela Leopardo Filmes.

Além do Cinema Nimas, em Lisboa, e do Teatro Campo Alegre, no Porto, o ciclo O Mundo de Wong Kar Wai contará com exibições no Cinema Charlot, em Setúbal; no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra; no Theatro Circo de Braga; e no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz.

Exibido no Festival de Cannes 1989 e premiado no Cinema de Hong Kong 1989, por ter a melhor Direcção Artística e o melhor actor secundário (Jacky Cheung), As Tears Go By – Ao Sabor da Ambição (1988) revelou-se um sucesso comercial entre a crítica em Hong Kong e marca a sua primeira colaboração não só com Chang, mas também com uma actriz que viria a participar em vários dos seus filmes, Maggie Cheung.

O filme é a primeira longa-metragem do mestre de Hong Kong, na qual aparecem já as figuras e linguagem que se tornaram nas suas imagens de marca e de glória. Inédito em França, tornou-se num filme de culto antes mesmo de ter sido visto, precisamente pelo longo período de inacessibilidade e talvez também pelo seu título (que partilha com uma célebre canção dos Rolling Stones).

As Tears Go By – Ao Sabor da Ambição é um filme de género, um thriller no mundo das tríades, mais próximo de Mean Streets – Os Cavaleiros do Asfalto ou de John Woo do que de 2046.

A partir de As Tears Go By, repleto de luzes cruas e néon, Wong reage em Days of Being Wild – Dias Selvagens (1990), com um filme “monocromático”, quase drenado de luz. Todo o filme se passa à volta de uma permanente desordem sexual, num clima de estufa abafado, onde os indivíduos não revelam os seus segredos e acabam por se assemelhar a plantas carnívoras afogadas numa incrível luz verde. Sinal desta metamorfose vegetal do mundo (perpetuamente encharcado por chuvas), é o magnifico plano de abertura, que sobrevoa um palmeiral, plano que voltará várias vezes a assombrar o filme como uma possível chave da psique das personagens.

Wong faz adições ao seu leque de colaboradores e trabalha pela primeira vez com os actores Leslie Cheung e Tony Leung, e com o fotógrafo Christohper Doyle. A produção de Days of Being Wild foi turbulenta e os planos para uma segunda parte do filme foram, eventualmente, descartados. Após a estreia do filme, Wong Kar Wai fundou a sua própria produtora, Jet Tone.

AS TEARS GO BY – AO SABOR DA AMBIÇÃO (1988), Wong Kar Wai

Com Andy Lau, Maggie Cheung, Jacky Cheung

Hong Kong, China 1h42 | M/16

O primeiro filme de Wong Kar Wai, Ao Sabor da Ambição, inédito em sala em Portugal, é um filme de gangsters à la Scorsese que tem lugar nas ruas de Mongkok, em Hong Kong. Andy Lau interpreta um baixo funcionário da máfia, dividido entre um romance florescente com a sua prima (Maggie Cheung, na primeira de várias colaborações com o cineasta) e a sua lealdade para com o seu impulsivo parceiro de crime (Jacky Cheung), cujas tentativas imprudentes de ganhar reconhecimento resultam num ciclo de violência que parece não ter fim. Introdução do autor àquele que se tornaria o seu inconfundível estilo visual, o filme fez furor em Cannes pela singularidade dos seus cenários impressionistas e romantismo profano.

DAYS OF BEING WILD DIAS SELVAGENS (1990), Wong Kar Wai

Com Leslie Cheung, Maggie Cheung, Andy Lau, Rebecca Pan

Hong Kong, China 1h34 | M/12

Ao segundo filme, também inédito em sala em Portugal, o arrebatador Dias Selvagens, uma história de insaciável desejo romântico na Hong Kong dos anos 1960, WKW abre um caminho triunfal. Um grupo de jovens, instáveis e cool, com vinte e poucos anos (um ‘quebra-corações’ insatisfeito à procura da sua mãe biológica, uma rapariga desesperadamente enamorada por ele e a sentir que o seu amor não é correspondido, um polícia apanhado no meio desta turbulenta relação), partilham noites e cigarros, numa obra “sobre a beleza, o tempo, o desejo e muitos tons de verde” (Manohla Dargis), primeira das muitas e decisivas colaborações de WKW com o director de fotografia Christopher Doyle.