Projecto fotográfico do arquiteto Ricardo Zúquete em exposição no Rossio

O entendimento do espaço humano e expressivo da arquitetura, bem como a descoberta da “Preparação do Ator” de Stanislavski são temas em exposição patente até 15 de dezembro.

 

Com curadoria de D.André de Quiroga, o projecto fotográfico “Le regard et l’excédent”, de Ricardo Zúquete, é inaugurado na SALA DO REI – Estação do Rossio, nesta quarta (17) de novembro, pelas 18h.

O Projecto fotográfico de teatro versa sobre a experiência da expressão corporal, a figura e narrativa num espaço e é uma prospecção sobre a inteligência corporal sensível e expressiva das pessoas e dos espaços que habitam – do sentido que procuram, das presenças que criam, dos vazios que ficam e das memórias que sugerem, que têm sentido na expressão e gesto: também o que parece excedente e insinua o supérfluo.

Esta fotografia procura o registo, o testemunho poético; ser mosaico dessa atmosfera corpórea e expressiva. Procura também lembrar que o olhar deve ser um intenso processo de (re)conhecimento. E que as insinuações do supérfluo podem ser absolutamente essenciais.” como anunciado em comunicado.

Ricardo Zúquete, arquiteto e docente convertido em fotógrafo pela sua paixão pelo teatro, procura em “Le regard et l’excédent” documentar rituais de passagem, lugares e factos como unidades de sentido, graças à intercessão mediúnica dos atores retratados.  Três peças, cada uma delas constituindo-se como unidade espaço temporal distinta, três cosmogonias, reveladas pelo registo de camadas diferentes da imersão, primeira, dos atores, em ensaios, provas de guarda-roupa, e finalmente no cenário, na representação, e do público, a quem são concedidos diferentes níveis de acesso e interação, uma maior proximidade ou distanciamento dos atores, no palco, nos bastidores, ou nos corredores do Júlio de Matos.

À espera de Godot Set -ACTA e Luis Vicente (Divulgação)

A produção fotográfica procura o registo, o testemunho poético, ser mosaico dessa atmosfera corpórea e expressiva. Procura também lembrar que o olhar deve ser um intenso processo de (re)conhecimento, vital referência, e que anda confundido com imagens leves, coisas frugais. O teatro é o melhor lugar para testemunhar essa intensidade da complexidade humana na expressão e vida dos seus dramas, dos seus fingimentos, com os cenários aferidos, e personagens, e metáforas. E verdades.

O interesse de Ricardo Zúquete principia pelo entendimento do espaço humano e expressivo da Arquitetura e também da descoberta da “Preparação do Actor” de Stanislavski, e de um conjunto de aulas dadas no curso de Arquitetura para aprenderem sobre a metáfora corpórea, o espaço e a narrativa, e de como a Arquitetura é feita de presenças humanas expressivas, corpos existentes em lugares que se articulam por entre esses espaços de significados, em que são atores e espectadores simultaneamente. Escritos sobre fenomenologia de Merleau-Ponty e “matière et mémoire” de Henri Bergson são referentes deste projeto.

 

Le regard et l’excédent, de Ricardo Zúquete

De 17 de novembro e 15 de dezembro,

Local: Sala do Rei, na Estação do Rossio, em Lisboa.